‘Compreendemos que, herdeiros da idade da razão, somos herdeiros amnésicos: as leis se tornaram receitas, o direito um método, os Estados-nação um espaço jurídico. Será isso suficiente para garantir o futuro da idéia democrática? Hoje pergunta-se se pode haver democracia sem nação. O grande edifício da idade institucional perdeu as fundações e está flutuando, livre de qualquer amarra, abandonado, como casas de madeira levadas pela enchente’.
Está no livro ‘O Fim da Democracia’, cujo autor, Jean-Marie Guéhenno, foi chefe do grupo de planejamento de políticas públicas do Ministério das Relações Exteriores da França e embaixador na União Européia.
Descreve um possível cenário para o século XXI concernente à política, poder, religião e economia. Aborda a morte da democracia e das solidariedades nos espaços nacionais em razão das demandas pelo povo por novas mercadorias, assim como pelas constantes mudanças econômicas no planeta.
Profeticamente ou não, o autor a denomina como ‘idade imperial’, seja porque sucede o ‘Estado-nação’, como o Império antecedeu à República Romana, onde a sociedade dos homens tornou-se demasiadamente grande para que se pudesse formar um corpo político, portanto, incapaz de expressar uma soberania coletiva. Nesse contexto os cidadãos não passam de ‘sujeitos jurídicos, não uma entidade, são apenas titulares de direitos e submetidos a obrigações num espaço onde é excluído como personalidade’. Por outro lado, essa transformação corresponde a uma nova época, a um ‘admirável mundo novo’, onde haverá um mundo unificado, porém, sem centro ou talvez submetido a um poder invisível a ‘olho nu’.
A natureza do poder também muda sobretudo se for avaliada a forma de manutenção dos líderes nessa estrutura piramidal, bem como na manipulação da possibilidade de escolha dos milhões de eleitores que os elegem e os mantém governando, ou desgovernado.
Se a República Romana ruiu por inchaço da sociedade, as Repúblicas modernas, sobretudo a brasileira, ruirão pela alienação e corrupção da sociedade sem que ela perceba ou se sinta, ainda que levemente, ofendida ou espoliada. Em verdade, pode ser que não seja somente o edifício institucional que tenha ruído e sido levado pela enchente da corrupção do indivíduo e da sociedade. Pode ser que estejam tentando conduzir a opinião pública, se é que ela existe, a clamar por um novo modelo de homem, um ‘novo homem’, como apregoava Stalin e Hitler.
A poderosa máquina de propaganda mpede questionamentos básicos. Prova disso é o apagão da semana passada, onde o ‘Ministério da Verdade’, concluiu que foi um poderoso raio que provocou o desligamento das linhas de transmissão de Itaipu. Todo mundo acreditou. Interessante é que um helicóptero de uma rede de televisão viajou de São Paulo à Itaberá, cidade onde fica a subestação responsável pela falta de energia e não foi vista uma equipe sequer efetuando manutenção das torres. Nem o prefeito da referida cidade foi recebido pelo diretor da mesma.
Nadir Ap. Cabral Bernardino
Advogada formada pela FDF, pós-graduada em Política e Estratégia e Direito Ambiental
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