Advogados elaboram dossiê contra peritos da Justiça Federal


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<b>SEM APOSENTADORIA</b> - Leonardo Barbosa mostra declaração de que faz tratamento no Hospital do Câncer
<b>SEM APOSENTADORIA</b> - Leonardo Barbosa mostra declaração de que faz tratamento no Hospital do Câncer
Há cinco anos um balconista sofreu um acidente de moto. Ficou paraplégico e não faz suas necessidades fisiológicas sozinho. Um motorista profissional está com sérios problemas de visão. Os dois enfrentam uma grande dificuldade de conseguir a aposentadoria por invalidez. Essas e outras 19 histórias semelhantes estão relatadas em um dossiê contendo quase 300 páginas, assinado por sete advogados previdenciários e que deverá ser entregue à Justiça Federal. Os profissionais relatam que apesar dos atestados médicos de que seus clientes são incapazes de trabalhar, os peritos contratados pela Justiça Federal têm negado o benefício. Diante da situação, eles recorreram à OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Franca reivindicando que a instituição marque uma audiência com os juízes para que eles avaliem a conduta dos médicos. Ivan Cunha, presidente da Ordem, acatou as denúncias e considerou o problema grave. “Há situações bastante distorcidas da realidade. A gente não entra no mérito das perícias, mas os casos que nos foram relatados são muito graves. Vamos tomar providências”. Segundo Ivan, o documento será entregue ao diretor do Fórum. “Vamos marcar uma audiência nos próximos dias. Já conversei com o Corregedor Geral, André Nabarrete. Ele também achou o caso grave e orientou a fazer esse encontro”. Para quem está em busca do auxílio-doença ou aposentadoria, a medida chegou em boa hora. O sapateiro Leonardo Ferreira Barbosa, 38, é um dos pacientes que tiveram pedido de benefício negado. Ele sofre de doença cardíaca há oito anos. O problema se agravou em outubro de 2008 quando ele descobriu que estava com leucemia. Passou a sofrer com cansaço excessivo e tontura. Precisou deixar o trabalho de vez. À época, os médicos do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) concederam auxílio-doença a Leonardo. Em maio deste ano, ainda doente, ele recebeu alta. Sem condições de cuidar da família, o sapateiro mandou a mulher e dois filhos - de 13 e 4 anos - para a casa de parentes na Bahia. Está morando com a mãe, mas sem possibilidade de ajudar nas despesas da casa. Continua em tratamento no Hospital do Câncer e queixa não poder trabalhar ou fazer coisas simples como caminhar. “Se eu andar um quarteirão ou subir uma escada fico tonto. Minha vida é ficar em casa, praticamente deitado o dia todo. Na semana passada fiquei internado três dias. Não sei o que fazer”. O Comércio tentou contato com o diretor do Fórum Federal, Marcelo Duarte, mas ele está atuando no Tribunal de Justiça em São Paulo e só retorna a Franca no final do ano. O diretor-substituto, Leandro André Tamura, disse, por meio da sua secretária, que desconhece o dossiê e, por isso, não falaria sobre o assunto.

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