Andei buscando um título para matéria de hoje e depois de cansado exercício parei neste que aí se gravou. Passei por Ladeira abaixo, Insinuante safada, Selvagens com razão, Universidade covarde, Maioria insana, Autoridades irresponsáveis e tantos outros que bem atenderiam o assunto.
A polêmica criada com tanto espaço consumido na mídia não merecia sequer um décimo da gula sádica das pessoas interessadas em coisas erradas como exemplos a serem seguidos. Pelo volume de importância dado ao fato posso, amanhã, ser apedrejado ou seqüestrado e se vivo ficar poderei assistir meus agressores recebendo títulos e honrarias – quem sabe, a Comenda do Cruzeiro do Sul.
Não é de minha formação aplaudir selvagerias venham de onde vierem. No entanto não posso, por dignidade, compactuar com insinuação estudada com o fito de comover grupos sociais nos momentos e locais inadequados. Muito mais que bonitas coxas de mulher ou remexer de nádegas, um riso safado em debochado e cínico olhar, pode traduzir invitamento coletivo. Acrescente-se, no caso, Geisy Arruda desenvolveu seu coquetismo bem elaborado entre jovens colegas bastante acostumados à exiguidade de roupas no mundo feminino e sem qualquer rejeição. Se estes afeiçoados aos modernos costumes a repeliram, imaginem a intensidade do apelo exposto pela mocinha pretendente a atriz. Com muito mais acerto e possibilidade de retorno garantido poderia a menina exibir suas qualidades na grande escola brasileira: o BBB.
Mais uma vez constato meu País rolando ladeira abaixo com relação à moralidade, a dignidade de exemplo e projeto de estruturação da ética com respeito à pessoa. Certos pronunciamentos de autoridades irresponsáveis poderiam ter sido evitados, pois, com o peso que carregam, servem de incitação para práticas indesejáveis. Líderes de movimentos feministas correram a marcar afirmações de defesa daquela a que passaram a identificar como vítima. Enquanto outros não hesitaram em considerá-la “provocadora”, o promotor de Justiça Roberto Livianu pré julgava, excedendo-se em sua função no organismo que representa. Ao declarar a expulsão um “exagero, foge a razoabilidade”, Livianu compara o fato e acrescenta: “posturas fundamentalistas islâmicas”.
A pressão imposta por membros do Ministério da Educação levou a Uniban ao covarde ato de retroceder na expulsão sem um julgamento mais adequado onde somente a verdade pudesse servir como eficiente divisor de águas. São exemplos assim que formam a juventude dando origem a desnudamento em protesto na UnB e pronunciamento de menina envolvida em prostituição infantil registrada recentemente por este jornal: “dinheiro na mão, calcinha no chão”.
Garcia Netto
Jornalista
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