As empreiteiras responsáveis por obras do DER (Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo) ameaçaram na última sexta-feira paralisar obras em rodovias de todo o Estado. O órgão estaria com dificuldades no orçamento e segundo o Sinicesp (Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Estado de São Paulo), a dívida com as construtoras já ultrapassaria R$ 500 milhões. Com isso chegou a ser analisada a dispensa em massa de trabalhadores nestas obras. No fim da tarde de ontem, Sindicato e Governo Estadual entraram em acordo e a suspensão dos trabalhos foi evitada. A diretoria do Sinicesp revelou que foi fechada uma negociação que prevê o pagamento de toda a dívida de forma escalonada até o final do ano.
O secretário dos Transportes, Mauro Arce, falou em Jacareí sobre o assunto. "Recebi várias manifestações de sindicatos. Nós realmente atrasamos (os pagamentos), mas não no número que eles colocaram, eles inflaram um pouco essa dívida". E explicou: "Quando você faz a medição, há 30 dias para se pagar. Se não passou esse prazo é porque ainda não estamos atrasados", afirmou o político ao repórter Marcelo Pedroso, do jornal Valeparaibano, um dos que compõem a APJ (Associação Paulista de Jornais).
Na região, o dia foi normal na Rodovia Cândido Portinari, no trecho conhecido como Curva da Morte, principal obra do Estado em andamento. Desde o início de agosto, funcionários da Leão Engenharia, empresa contratada para realizar as mudanças, estão no local. A construção está prevista para demorar 12 meses e, de acordo com Artur Mazer, engenheiro de campo da empreiteira, o cronograma está mantido. "Por aqui está tudo tranquilo e não há previsão para interromper o serviço. Também é comum termos uma pausa para as festas de fim de ano, mas ainda não sabemos quando será", afirmou Mazer.
O projeto prevê a duplicação de quatro quilômetros da Rodovia Cândido Portinari, entre o trevo de Alto Porã e a reta existente no fim da curva, e a construção de três viadutos. A obra está orçada em R$ 29 milhões pelo governo do Estado.
VICINAIS
Além das obras na Curva da Morte, a região tem pelo menos outras duas rodovias vicinais que passam por reformas e são custeadas pelo Estado de São Paulo: a "José Landim", que liga Ribeirão Corrente a Guará, e a "Manoel Carrijo", de Cristais Paulista às Águas Quentes. Nesses locais os serviços de recapeamento, sinalização e construção de acostamentos continuam a ser realizados normalmente ontem. Segundo Milton Martins Coelho, assessor da Prefeitura de Cristais Paulista, as obras não só continuam, mas seguem em ritmo acelerado. "Já temos quase 20 quilômetros da rodovia recuperados", afirmou ele.
Os reparos fazem parte do Programa Pró-Vicinal do Governo de São Paulo que tem o objetivo de recuperar as estradas vicinais do interior e dar segurança a quem trabalha e estuda em cidades próximas.
Em Franca, as rodovias João Traficante e Presidente Tancredo Neves, que ligam Franca às cidades mineiras de Ibiraci e Claraval, respectivamente, também devem receber melhoramentos. Mas, ainda não há previsão para início das obras.
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