Especialistas ensinam como ir bem na entrevista


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Para quem está na luta por uma vaga em uma multinacional, este é um momento de muita apreensão. Ser um trainee é uma chance de ouro e, se bem aproveitada, pode determinar sua carreira, a exemplo do atual presidente da Ambev, Luiz Fernando Edmond, que chegou ao mais alto cargo da corporação após passar pelo programa de treinamento e trabalho por 15 anos em diferentes funções. Para citar outro exemplo, na C&A, cujas inscrições se encerraram há duas semanas, 70% dos diretores vieram do programa de trainee, que acontece desde a década de 1970. Sem contar que um profissional recém-formado, nesse tipo de treinamento, tem as portas abertas da organização para conhecer as dinâmicas dos diferentes setores. Ao mesmo tempo implica em receber um salário provavelmente superior ao que seus colegas de faculdade, “com menos sorte”, ganham. Conte ainda com a possibilidade de fazer viagens internacionais e interestaduais. De um modo geral, os processos seletivos constam de análise de currículo, testes de conhecimentos, aptidões e de comportamento, entrevistas e dinâmicas de grupo. De tudo, os mais frequentes são os testes de QI e de personalidade, segundo recente pesquisa feita pela Catho Online -portal que cadastra vagas de emprego em todo o Brasil. Mas são nas fases presenciais e que envolvem diálogo que tudo pode mudar, de acordo com especialistas consultados pela reportagem. Todo seu esforço e conhecimento acumulado - inglês, francês e espanhol fluentes, graduações e especializações, experiências profissionais anteriores - vão por água abaixo se você não for bem na entrevista e na dinâmica. Para a consultora de Recursos Humanos da Catho Online, Daniella Correa, a entrevista é um momento crucial e para se destacar é preciso treinamento. “Recomendo uma série de entrevistas simuladas, em que um amigo, por exemplo, faz o papel de entrevistador. Se possível, grave essas simulações e depois avalie seu desempenho”, diz. Além disso, ela lista uma série de cuidados antes e durante a conversa: pontualidade, educação, naturalidade, conhecimento dos pontos mais relevantes do próprio currículo -”que serve de roteiro para a entrevista” - e informações sobre a empresa contratante. “Saiba sobre o modelo de negócio, clientes, concorrentes, serviços prestados e qualquer outra informação que seja relevante para seu cargo, principalmente se você estiver concorrendo a uma posição de liderança”, alerta. Daniella acrescenta que os entrevistadores procuram “o superhomem” e o candidato deve aproveitar muito bem os 60 minutos de bate-papo para mostrar porque será bom para a empresa. PERFIL IDEAL Consultor de recursos humanos do Instituto Via de Acesso e autor do livro Jovens Que Entram e Dão Certo no Mercado de Trabalho - Condutores do Amanhã (Editora Saraiva), Ruy Leal analisa que o perfil do trainee ideal procurado pelas empresas é determinado pelo processo de globalização das economias. “As reservas de mercado caíram, a competitividade passou a ser internacional e, por consequência, os perfis profissionais também mudaram”, afirma. Com a ressalva de que cada empresa busca algumas características particulares conforme suas estratégias, Leal delineia pelo menos seis habilidades que serão observadas durante a seleção: liderança, capacidade de negociação, criatividade voltada para a inovação, capacidade para trabalhar em equipe, excelente comunicação escrita e verbal e senso ético e de conduta. Na lista dos pecados maiores dos candidatos no processo seletivo estão arrogância, agressividade, isolamento, recusa às mudanças e autossuficiência. Uma dica é demonstrar uma postura madura e mais constante, já que, segundo Ruy Leal, a maior parte das empresas encontra dificuldades em lidar com a instabilidade dos jovens da chamada Geração Y (nascidos a partir da década de 1980). “Tenho feito muitas palestras para gestores de empresas sobre como trabalhar com essa geração, que prefiro chamar de geração super Y, pois são pessoas superpreparadas tecnologicamente; superprotegidas pela família; possuem o poder da superinformação; querem resultados superrápidos e são superdespreparados para enfrentar a frustração”, diz.

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