Com muita alegria a humanidade está comemorando 20 anos da queda do Muro de Berlim que, por muito tempo, dividiu a Alemanha em dois países, o do Ocidente e o do Oriente. Na Alemanha oriental vigorava o comunismo, sob tutela da Rússia. A ocidental, sob o império do capitalismo, orbitava em torno dos Estados Unidos. Era uma divisão infamante porquanto os habitantes de ambas os lados eram alemães, divididos por interesses econômicos, militares, ideológicos. Tanto é assim que, com a queda, chegou-se ao fim da chamada ‘guerra fria’.
Por isso, comemoração condigna deve, sim, ser realizada. Deve nos incentivar à introspecção, a fim de analisarmos os imensos muros, as enormes barreiras que ainda trazemos no interior da nossa alma. Barreiras que se traduzem em diversos preconceitos, nas mais diversas ideologias, nos mais obscuros sentimentos. E estes entraves, não duvidemos, impedem a nossa felicidade que não está no ‘ter’, mas no ‘ser’. Enquanto não elidirmos essas barreiras, não viveremos em paz e não construiremos um mundo feliz. Vejamos, por exemplo, a barreira religiosa: segundo o mais puro conceito de Jesus, seus discípulos seriam conhecidos por muito se amarem não por pertencerem a esta ou aquela religião, já que a religião de Jesus é o amor. Então, por que nos isolarmos em denominações religiosas que são criações humanas? Por que estabelecer barreiras desta ou daquela interpretação? Já não nos une a irmandade de sermos todos filhos de Deus?
Ora, criar barreira religiosa que isole pessoas é não entender a mensagem de Jesus. É evidente que a interpretação é livre e cada qual adota a que melhor lhe agrade mas, no entanto, não podemos nos valer desta ou daquela interpretação para nos separar, para nos dividir, para nos excluir, até porque ninguém é dono da verdade. Somos interpretes da verdade parcial, segundo o nosso amadurecimento, segundo as nossas possibilidades. Daí a obrigar que outros vejam com os nossos olhos é imensa cegueira. No nosso entendimento, já é hora de acabarmos com o muro divisório das crenças e assumirmos a nossa verdadeira condição de irmãos, ensinamento principal do Cristo.
E o que dizer da barreira da raça? Se todos somos filhos de Deus, portanto irmãos, o que é que nos pode diferenciar? A cor? O fato de havermos nascido num ou noutro país? Alguma ilustração maior no campo do conhecimento? Vamos eliminar imediatamente este muro que já não cabe mais no século XXI! Fisicamente falando, somos todos iguais. Não há qualquer diferença e nenhuma raça superior a qualquer outra porquanto só existe uma única raça: a humana!
Quando cairão os muro do orgulho, do egoísmo, da tola vaidade? Quando estes graves defeitos serão eliminados da nossa alma? Aproveitemos, pois, as comemorações da queda do Muro de Berlim e abramos um imenso portão de Brandenburg para a entrada das virtudes da humildade, da caridade, do amor em nossas almas a fim de que possamos afirmar, convictamente, ‘Já não sou eu que vive, mas o Cristo que vive em mim’, parafraseando o Apóstolo dos Gentios.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e membro do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)
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