A briga pela representação dos sapateiros em Franca apresentou novo round. A Justiça do Trabalho suspendeu o bloqueio da Carta Sindical em favor do sindicato presidido por Fábio Cândido. Ele acredita que a homologação definitiva pelo Ministério do Trabalho, em Brasília, é uma questão de dias. Isto acontecendo, a próxima negociação salarial da categoria, prevista para janeiro, seria feita pelo seu grupo. Se depender da atual base, não haverá mudança tão cedo. Paulo Afonso Ribeiro, diretor do Sindicato dos Sapateiros, avisou que vai recorrer da decisão. “Esta questão não é igual à pipoca que fica pronta de uma hora para outra”.
A disputa entre os dois sindicatos para ser o representante dos sapateiros se arrasta desde 1995. Cândido vem obtendo decisões favoráveis em todas as instâncias. Apesar das vitórias, segue impedido de falar em nome dos sapateiros, justamente, por não ter a Carta Sindical.
Passo importante para obter o aval foi dado na quinta-feira, quando a 1ª Vara da Justiça do Trabalho em Franca concedeu despacho desbloqueando o documento. “Meu sindicato já havia vencido em todas as esferas possíveis. A liberação do registro sindical era a última decisão que me faltava. Isto significa que, tão logo eu receba o documento, terei a representatividade para falar em nome da categoria”.
Para ser oficializado como novo líder dos sapateiros, Fábio Cândido ainda depende da liberação do registro junto ao Ministério do Trabalho. Ele acredita que a medida não deva demorar. “Já são quase 15 anos de luta. Acredito que, agora, será rápido. Sei que o outro lado vai tentar dificultar, mas acredito que há tempo hábil de meu sindicado comandar as próximas negociações. Se não der tempo, a gente se retira para não atrapalhar e assume depois”.
Paulo Afonso Ribeiro minimizou a decisão da Justiça em favor do sindicato concorrente e disse que não tem nada decidido. “Vamos recursar em segunda instância dentro do prazo. Nossos advogados estão tomando todas as medidas. Enquanto não transitar em julgado no Supremo Tribunal Federal e ele não conseguir o registro no Ministério do Trabalho, não tem nada definitivo. Acredito que a decisão final não acontecerá da noite para o dia. Dificilmente, a próxima negociação salarial não será feita pelo nosso sindicato”.
José Carlos Brigagão do Couto, presidente do Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca), disse que a pendência não vai atrapalhar as negociações e que a entidade vai conversar com quem a Justiça determinar.
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