Mesmo com os avanços da medicina, muitos tratamentos de câncer atingem um estágio em que não apresentam mais perspectiva de cura. Ficar internado ou ser submetido a diferentes intervenções médicas não traz resultados, apenas prolonga o sofrimento. Pensando em amenizar essa dor, o Hospital do Câncer de Franca planeja inaugurar no primeiro semestre de 2010 o Ambulatório de Medicina Paliativa.
Os pacientes em fase terminal da doença e seus familiares serão encaminhados para a unidade, que terá uma equipe multiprofissional para oferecer suporte nas partes física e emocional durante o período que antecede a morte. A ideia é, sempre que possível, manter o doente em casa, num ambiente mais familiar. Nestes casos, o médico paliativista, que será contratado pelo HC, fará visitas domiciliares para acompanhá-lo.
“As pessoas preferem morrer em casa. É melhor que estar num leito de hospital, num lugar que não é delas e onde estão cercadas por médicos e enfermeiros. O ambulatório proporcionará uma morte mais digna e acolhedora”, disse o médico oncologista Reynaldo Sant’Anna, coordenador do HC de Franca, que viveu experiência semelhante em sua família. “Meu avó, que era médico, teve câncer no estômago e pediu para deixar o hospital porque queria morrer em casa, sem estar cheio de tubos e outros aparelhos. Ele foi liberado e morreu dias depois”.
O hospital está em fase de contratação do médico paliativista que atuará no Ambulatório de Medicina Paliativa. Os profissionais terão também a função de atender os pacientes quando tiverem dores ou apresentarem quadros de intolerância alimentar, perda de peso e vômito, comuns nos casos de câncer. Hoje os médicos já prestam esse atendimento, mas paralelamente a outros serviços. “Com o novo ambulatório, ofereceremos um atendimento mais eficaz e próximo, sem o corre-corre do ambulatório, em que temos de acompanhar as quimioterapias e radioterapias e prestar outros serviços. Será uma atenção diferenciada”, disse Reynaldo Sant’Anna.
Na Inglaterra, França e Canadá este tipo de trabalho prestado por médicos paliativistas já existe. No Brasil, o hospital do Servidor Público - em São Paulo - presta esse tipo de atendimento. A novela da rede Globo, Viver a Vida, também aborda o tema. As personagens das atrizes Danielle Suzuki (Ellen) e Christine Fernandes (Ariane) são paliativistas. A proposta dos especialistas é ajudar a morrer sem dor.
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