Um dia depois do violento assalto que vitimou a aposentada Júlia Silva Engane, 97, espancada e quase estuprada dentro de casa, mais dois roubos com ações violentas de criminosos foram registrados. Em um dos casos, um advogado levou dois tiros. No outro, um rapaz foi espancado por três assaltantes porque não aguentou o peso do cofre roubado pelos bandidos. No local, as vítimas foram amarradas e trancadas no banheiro (leia mais em texto nessa página). A polícia não conseguiu prender ninguém.
A ação mais grave foi durante a tarde de ontem na Rua Álvaro Abranches, Bairro Cidade Nova. Eram 14h30, quando dois assaltantes, sem se importar com a intensa movimentação de pessoas na rua, invadiram a imobiliária Parati. Dentro do estabelecimento, eles renderam o dono da empresa, Oswaldo Ferro, 77, o advogado Geraldo Américo Taveira, 75, e um funcionário de 20 anos.
Segundo as vítimas, o primeiro a ser dominado foi o funcionário da imobiliária. Ele contou que um dos bandidos tocou o interfone se passando por um cliente. Ao abrir o portão foi rendido. "Eles me levaram para cozinha e mandaram eu me deitar no chão", disse o funcionário.
Osvaldo Ferro disse à polícia que estava em sua sala quando um dos ladrões entrou pedindo dinheiro. O outro assaltante, armado com revólver, foi para outra sala da imobiliária e dominou o advogado Geraldo Taveira. Num gesto que ninguém soube explicar, o marginal efetuou dois tiros contra o advogado. Segundo a polícia, ele teria reagido à ação do criminoso. Os tiros atingiram o braço esquerdo e a perna direita de Taveira, que foi socorrido pela Unidade de Resgate dos Bombeiros para Hospital Regional.
Dentro do estabelecimento as manchas de sangue demostravam a gravidade dos ferimentos na vítima. "Os projéteis atravessaram o corpo da vítima. Ele perdeu bastante sangue e foi deixado no hospital onde passou por atendimento médico", disse o sargento Cruz do Corpo de Bombeiros. O advogado ficou internado em observação. Ele passa bem, segundo funcionários da imobiliária. Depois dos tiros, a dupla de assaltantes fugiu caminhando pela calçada e entrou num veículo Monza, que aguardava na esquina.
Testemunhas que estavam na porta da imobiliária não acreditavam na cena que viram e ficaram indignadas. Uma comerciante de 47 anos contou que escutou os tiros. A princípio pensou que fossem balões de festa de uma loja de roupas das proximidades, mas quando viu os ladrões fugindo com revólver nas mãos se abaixou dentro do carro com medo de também ser baleada. "Nunca vi isso. Só em filmes. Eles passaram caminhando na calçada guardando a arma tranquilamente. Um deles aparentava ter um problema na perna pois estava mancando", disse a comerciante.
Geraldo Taveira é ex-diretor do Hospital Regional e genro do ex-prefeito de Franca, Flávio Rocha. As informações são de Paulo Rubens de Almeida, amigo de longa data do advogado ferido na ação criminosa.
<b>SEM EXPLICAÇÃO</b>
A reportagem do Comércio tentou falar com o comando da Polícia Militar sobre a série de roubos com reféns e violência que vêm ocorrendo na cidade desde agosto. O coronel João Paulo Macedo Brandão não foi localizado. O setor de comunicação da PM informou que ele estava em reunião e agendou entrevista para a próxima segunda-feira. Ataques do gênero já somam 14, segundo levantamento feito pela reportagem do Comércio.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.