A revista Época, edição de 12 de outubro, trás na coluna Primeiro Plano, reportagem enfocando o executivo Louis-Pierre Wenes, um dos mais famosos da comunidade europeia. Formado pela École Centrale de Paris, prestigiosa faculdade de engenharia europeia, galgou degraus da carreira de executivo chegando a ser o segundo na hierarquia da France Telecom, à qual pertencia e pela qual foi encarregado de executar o plano denominado Next, visando à reestruturação da empresa à custa de diminuição de despesas, especialmente com pessoal.
A execução do plano desencadeou avassalador estresse sobre o grupo de funcionários, formado por quase 100 mil servidores. A agressão psíquica representada pelas drásticas medidas administrativas foi tal que 24 funcionários não resistindo, suicidaram-se. Outros 10 tiveram a tentativa, frustrada. Isto fez com que Wenes também não resistisse à pressão e fosse demitido do projeto e da empresa.
Se analisarmos os acontecimentos apenas do ponto de vista material, tudo parece normal e não há nada a reclamar. Porém, há que se considerar os aspectos morais e, sobretudo, os espirituais. A perda do emprego, que é a segurança da pessoa e, por consequência, da família, indubitavelmente abala qualquer estrutura pessoal. Se observarmos as empresas que apenas visam lucros, encontraremos um quadro chocante e desumano.
Metas estratosféricas são estabelecidas e ai do funcionário que não atingi-las. Sujeitam-se à demissão. Para alcançar seu objetivo o funcionário é obrigado a adequar-se a todas as situações, inclusive trabalhando fora do horário para poder cumprir suas metas. Surge o estresse e, com ele, a doença.
Doente, o funcionário tem de recorrer à Saúde Pública, onerando os cofres da Previdência. Assim, toda a sociedade paga pela ganância das empresas. Cria-se o círculo vicioso que a todos prejudica. E há mais. Alguns funcionários, como os da France Telecom, descuidados da sobrevivência do espírito, procuram no suicídio a saída para as suas aflições. Pensam que matando o corpo, resolvem o problema.
Diz-nos a Doutrina Espírita que este é o maior engano que a criatura pode cometer. Ninguém morre. Morre o corpo que serviu por algum tempo, de instrumento para a ação do espírito e este, uma vez arrojado à vida espiritual, continua a vivenciar e sofrer os problemas, as emoções, os desencontros. Por isso não adianta matar o corpo. A vida continua. E qual a solução ante os problemas materiais? Só há uma: a confiança em Deus, na Sua Justiça. Tudo o que nos acontece, como dizia Ghandi, nos vem por nossa própria conta. Assim, de nada adianta o desespero.
Procuremos uma vida simples e Deus proverá as nossas necessidades. Uma porta se fecha e outras tantas se abrirão. Não será a dificuldade um chamamento à nossa criatividade, ao nosso esforço pessoal? Portanto, suicídio jamais! Haja o que houver, confiemos em Deus e na Sua Justiça porquanto o futuro a Deus pertence. Nós participamos da construção como agentes do nosso destino.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e membro do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)
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