A Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito) de Franca dispensou hoje os 14 funcionários ligados às Associações de Despachantes, Auto-Escolas e de Médicos que prestavam atendimento naquela repartição, alguns com até 18 anos de trabalho, cumprindo liminar determinada pela Justiça. A medida gerou tumulto na delegacia. Os cargos foram ocupados por oficiais administrativos aprovados em recente concurso. O problema é que eles não receberam treinamento e não tinham senhas para operar o sistema de dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran).
O delegado titular, Marcelo Caleiro, disse que todos os serviços realizados pela Ciretran estão, a partir de agora, sem previsão para serem cumpridos. O Ministério Público acompanhou a saída dos funcionários.
Em junho do ano passado, o Detran realizou um concurso em que criava a figura do oficial administrativo, justamente para acabar com a relação entre entidades privadas (auto-escolas e escritórios de despachantes) e as delegacias de trânsito. Para Franca, foram 15 vagas e outras 25 para cidades da região.
Há uma semana, os aprovados foram chamados, mas não conseguiram assumir suas funções. O Comércio apurou que havia resistência interna dos funcionários mantidos pelas associações em repassar informações aos novos servidores.
Anteontem, o promotor de Justiça, Paulo César Borges, encaminhou ofício à Ciretran pedindo que, em 24 horas, as dispensas fossem providenciadas. Como nenhuma medida foi tomada, ele resolveu ingressar com uma ação civil pedindo a intervenção do Judiciário para a retirada dos antigos funcionários. A Justiça acatou o pedido e ontem expediu uma liminar determinando a saída deles da Ciretran e a posse dos concursados, o que foi feito ainda pela manhã.
Sem os funcionários terceirizados, quem procurou a Ciretran ontem teve muita dificuldade em ser atendido. Por volta das 14 horas, as filas nos balcões eram grandes e os novos funcionários não sabiam dar qualquer informação ao público.
Na seção de liberação de veículos apreendidos, motoristas cobravam explicações, mas não obtinham nenhuma resposta. O atendente limitava-se a dizer que não havia prazos para expedir qualquer documento liberando os veículos, mesmo os que estavam com estadia paga por seus proprietários.
Irritado, o pespontador Leonardo Guilherme da Silva, 36, disse que já tinha perdido dois dias de trabalho para tentar retirar a sua moto Yamaha do pátio em que está, depois de ser apreendida pela polícia há cinco dias. “Paguei todas as taxas e estou com os comprovantes aqui, mas informaram que eu não poderei retirá-la, nem sabem quando vai ser possível”, disse ele, que iria procurar o 2º Distrito Policial para registrar um boletim de ocorrência, na tentativa de fazer cessar a cobrança de diárias do veículo.
O delegado responsável pela Ciretran, Marcelo Caleiro, disse que não há prazo para que o atendimento seja normalizado, já que os concursados precisarão passar por treinamento para conseguir assumir as funções.
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