A Rússia vai instalar uma base na Amazônia que será o `maior aeroporto da Bolívia`. A base será construída em Chimboré, na província de Cochabamba, em região amazônica. A Rússia aproveitará as instalações deixadas pela agência antidrogas americana (DEA), expulsa do país por Evo Morales. Os russos poderão atingir qualquer ponto do território brasileiro a partir dessa base, visto localizar-se geograficamente no centro da Bolívia, portanto, do continente sul-americano.
No final de setembro último a Assembléia Nacional da Venezuela aprovou por unanimidade o caráter `sigiloso e inviolável` dos acordos militares entre Venezuela e Rússia, e no mesmo dia a desmando de Chávez `decretou que tudo agora é patrimônio do Estado", de modo que qualquer proprietário de imóvel perdeu seu direito legítimo de fazer qualquer coisa com seu bem, seja alugar, doar, vender ou deixá-lo em herança, pois a partir da data de sua publicação, quem decide o que fazer com a propriedade de cada um, agora, é o Estado.
O Papa Leão XIII, em sua encíclica `Rerum Novarum` (Das Coisas Novas), pontua: `Arrebatar pela força o bem alheio e invadir propriedades estranhas sob o pretexto de absurda igualdade, são coisas condenadas pela justiça e repudiadas pelo próprio interesse comum`.
O mesmo documento acrescenta: `Certo, os operários que querem melhorar de sorte por um trabalho honesto e alheio a qualquer injustiça, formam grandíssima maioria; mas deles também há que, imbuídos de falsas doutrinas e ambiciosos de novidades, tudo põem em prática para excitar tumultos e arrastar os outros à violência. Intervenha então a autoridade pública e, refreando as agitações dos cabeças, assegure os costumes dos operários contra os artifícios da corrupção, e as legítimas propriedades contra os perigos da rapina`.
Curiosamente, apesar de todos esses sintomas de totalitarismos/ditaduras em franco andamento na América Latina, há um incômodo silêncio por parte do governo brasileiro. Lula não viu com bons olhos a instalação de uma base americana na Colômbia e alardeou seu desagrado aos quatro ventos. Porém, não se sente nem um pouco incomodado com a presença russa tão próxima do Brasil.
Perto demais, se poderia concluir, visto que a Rússia tem interesse em reconstruir seu potencial militar nuclear dos velhos tempos do comunismo e a região é rica em matérias-primas estratégicas. Mas não é só. Pode estar havendo outros interesses, a exemplo do fornecimento de armas à América Latina.
Aliás, não é secreto mas público e notório que há acordos de `cooperação energética` entre Bolívia, Venezuela, Rússia e Irã, o que poderia vir a ser interpretado como uma ameaça ao continente, onde países contrários à expansão nuclear podem se insurgir contra tais políticas.
Como não poderia deixar de ser, há por parte do governo brasileiro sempre dois pesos e duas medidas quando se trata de avaliar as ações dos líderes latinos que foram `picados` pela mosca do comunismo e que seguem com seus projetos de transformar a América Latina num bloco socialista.
O governo do Brasil está sempre pronto a se envolver em questões internas da Colômbia e de Honduras, entretanto, quando se trata de ações que envolvam algum líder, membro do Foro de São Paulo, simplesmente se cala e cala toda a imprensa. Ninguém comenta essa movimentação russa no continente ou abre espaço para qualquer discussão sobre o que está por detrás de tais acordos.
Nadir Ap. Cabral Bernardino
Advogada formada pela FDF, pós-graduada em Política e Estratégia e Direito Ambiental
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