Tieta nasceu em uma fazenda na região de Uberlândia (MG) há quase três décadas e foi adotada ainda filhote pela doméstica Lúcia de Fátima Claudino, 51. Tieta canta Parabéns e Atirei o pau no gato, pede café e fala diversos nomes. Gosta de brincar com os vizinhos. Mimada, é considerada um membro da família. Na semana passada, Tieta foi apreendida pela Polícia Ambiental. Tieta é uma papagaia esperta. Foi como se um ente querido tivesse partido. “Ela é como um filho para mim”. Revoltada pela separação, a mulher pretende ingressar na Justiça para ter o animal de estimação de volta.
Lúcia já perdeu a conta de quanto tempo convivia com a papagaia. Acredita que sejam 28 anos. O longo convívio deu origem a uma intensa relação de carinho entre a mulher e a ave. “Não sei nem como vou fazer se não pegar ela de volta. Tenho visto ela em pensamento toda hora. Nem quero mais morar na minha casa. Não consigo. Dói o coração. Estou sentindo muita falta. Estou até doente. Nem dormindo eu estou. Fico só pensando nela”.
Foi uma denúncia anônima que fez a polícia retirar Tieta da doméstica. Na quinta-feira, policiais foram à casa dela, no Jardim Luiza I, e apreenderam a papagaia juntamente com seis canários da terra e duas coleiras, que seriam do marido dela. Desesperada, ela disse na delegacia que se mataria caso não recebesse a ave de volta. “Cheguei lá chorando e ele começou a chorar também quando me viu, começou a chorar e gritar. Então os policiais mandaram levar ele lá para dentro”.
Lúcia afirmou que cuidava muito bem do papagaio e que não há motivos para a polícia não devolvê-lo. “Eu dava frutas, semente de girassol, vitamina, tudo de bom. Não deixava faltar nada. Ele gostava de sorvete, de refrigerante e de leite com Toddy. É a mesma coisa que fosse uma pessoa da família. Tenho certeza que, agora, ele não está sendo tão bem tratado. Ele fica doente e triste quando está longe de mim. Tenho certeza que nem está comendo. Meu medo é que ele morra”, disse chorando.
Enquanto tenta sensibilizar a polícia, dona Lúcia já rezou para a mulher que lhe deu o papagaio, já falecida, pedindo que a alma dela a ajude a encontrar o animal de estimação. “Já fiz até novena para Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que eu tenho muita fé nela, para que ela me ajude a pegar ele de volta”.
Não é só na providência divina que a mulher está apostando para levar Tieta novamente para casa. Na terça-feira, ela e o marido procuraram um advogado para ajudá-los na empreitada. “O papagaio está com ela antes mesmo da criação da lei ambiental. Se não houver bom senso por parte das autoridades, vou ingressar com um pedido de liminar na Justiça, pois a tendência é que o animal possa morrer se ficar longe da família”, afirmou Reginaldo Carvalho.
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