O "ponto" no quilômetro 399 da Rodovia Cândido Portinari em que cinco pessoas foram atropeladas e quatro morreram no fim da tarde de sábado, em Franca, não é uma área regulamentada para embarque e desembarque de passageiros. A informação é do comando da Polícia Militar Rodoviária e da Autovias, empresa que administra o trecho da via.
Por e-mail, a concessionária afirmou que o local existente após a ponte da Vila São Sebastião não é parada autorizada para veículos de transporte de passageiros. Segundo a Autovias, apenas o ponto localizado no quilômetro 397 metros atende as especificações de segurança estipuladas pela Artesp (Agência de Transportes do Estado de São Paulo), sendo, inclusive, dotado de baia.
Questionada sobre a fiscalização que deveria exercer ao longo da rodovia, a Autovias disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que esta tarefa cabe aos órgãos estaduais competentes. "À empresa cabe realizar, regularmente, estudos e planificações estatísticas, que fornecem subsídios para ações preventivas operacionais e de engenharia contra acidentes", informou a nota da assessoria.
O Comércio da Franca também questionou se o sistema de monitoramento por vídeo ao longo da rodovia não conseguiu captar o momento do acidente. Mais uma vez, através de nota, a Autovias que câmeras instaladas nos quilômetros 398, 402, 430 e 450 são usadas para monitoramento do tráfego e suas imagens não são gravadas ou arquivadas.
Já a Polícia Rodoviária disse que eventuais autuações por parte dos policiais sobre veículos parados em pontos não autorizados dependem de flagrante. "Se o policial não vê nenhum veículo parado embarcando ou desembarcando passageiros não há o que ser feito", disse o sargento Cláudio Monteiro, comandante interino da corporação em Franca.
A partir de informações de familiares de Maria Diva de Souza e José Eurípedes de Souza, duas das quatro vítimas do acidente, de que eles esperavam pelo ônibus da Viação Cristalense que os levaria até Pedregulho, a reportagem entrou em contato com a empresa, em Franca. O diretor Jaime Luiz Silva disse que os carros da Cristalense não param naquele ponto por não terem autorização. "Eles deveriam estar esperando alguma van ou ônibus clandestino naquele local, porque nós não paramos ali", afirmou Silva.
<b>ESTADO GRAVE</b>
Paulo César Monteiro de Almeida, 20, continua internado no CTI da Santa Casa em estado gravíssimo. Ele é a quinta vítima do acidente. Em coma, o rapaz respira com a ajuda de aparelhos. Três pessoas morreram no local e uma na própria Santa Casa após ser socorrida às pressas.
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