Transição na vida das empresas


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Como na vida das pessoas, as empresas também passam por várias fases de crescimento e de amadurecimento e, do mesmo modo que nas vidas das pessoas, também as empresas vivem períodos crítico e difícil. Como consultor, acompanho vários processos do tipo. A fase de transição de uma empresa pequena para uma de porte médio ou até grande é difícil e cheia de perigos, nem sempre conhecidos ou reconhecidos. Semelhante ao período de pré-adolescência e a todos os problemas da puberdade, as empresas enfrentam problemas de crescimento e de amadurecimento. Há diferenças entre as empresas. Há as que reconhecem esta fase de adaptação e estão preparadas para enfrentá-la. Há outras que não as reconhecem ou acham que já estão tão sólidas e amadurecidas para atravessar problemas. É ai que reside o perigo. A taxa da letalidade é bastante elevada. Quando a empresa é dirigida pelo dono, que é homem de sete instrumentos – idealiza os modelos, compra materiais, dirige a produção, negocia com os clientes ou com os representantes, preenche as fichas de produção, controla (ou não) os cortadores e os desperdícios, conhece pelo nome todos os funcionários e até serve de motorista para ir buscar os insumos de última hora – pasmem, tudo funciona e é uma beleza! O problema reside num ponto que pouca gente sabe reconhecer: quando se atinge o momento em que não é mais possível agir desta maneira, onde a onipresença começa a causar prejuízos de desempenho, na economia, na produtividade, ai se torna fator de perigo para a sobrevivência. Mas, convenhamos, quem é um juiz objetivo em própria causa? O empresário que se vê nas condições de trabalho que acabei de retratar enxerga em cada sugestão para melhorar, crítica velada sobre seu próprio desempenho: ‘Sempre fiz isso e sempre deu certo, para que mudar?’. Esquece-se que é impossível socar 30 horas dentro de um dia de 24 mas é justamente isso o que tenta fazer. Segundo ponto fraco nesta transição é o quadro dos funcionários. Respeitemos o paternalismo, respeitemos a gratidão pela dedicação, mas só até o ponto em que isso não prejudique desempenho. ‘O camarada começou comigo e vai ficar comigo até o fim!’ Sob o ponto de vista humano é louvável a filosofia mas, sob o ponto de vista empresarial é de se duvidar porque pode ser um dos fatores que vão aproximar o fim da empresa. Os homens têm limites que, uma vez atingidos, quase nunca podem ser superados. Por que o nosso empresário troca de carro de ano em ano? Por que quer sempre o último modelo de celular e está ansioso esperando um que terá fonte de água colorida com música? Será que aquele chefe de produção não está freando a produção com hábitos do século passado em vez de melhorá-la segundo padrões do terceiro milênio? Há necessidade de avaliações objetivas, desapaixonadas, que podem comparar aquilo o que está sendo feito com aquilo o que deveria ser feito. E a tarefa não cabe ao dono da empresa, por demais acostumado com o status quo e, pior, por falta de conhecimento, porque se os tivesse, já teria implantado novos ou outros métodos. A transição de um estágio para outro é um processo delicado e crítico, porque não se anuncia e porque diagnosticar não é fácil, principalmente para quem vive preso às rotinas do dia-a-dia. Assistimos agora mesmo e cada dia mais a introdução de novos métodos de produção, de novas ferramentas de gestão, de novos métodos de cálculo de custo e formação de preço de venda, de uma revolução na maneira de comercialização – quantas novidades e quanta coisa deve ser feita, simplesmente para sobreviver, num mundo de competição global. Por que queremos que nosso herói, dono de uma empresa pequena em crescimento promissor se preocupe e domine todos estes assuntos, além da estafa rotineira a que é submetido? Convenhamos! É exigir milagre! Tarefa para um super-homem. A constatação final é que, se as medidas necessárias não forem tomadas em tempo, se as pessoas não forem treinadas para executar as novas tarefas com novos métodos, se o dono da empresa não se acercar de elementos escolhidos não na base de amizades ou de recomendações de amigos, mas com base na entrevista com psicólogo e um ótimo currículo escolar ou profissional, a empresa se alinhará junto com tantas outras no cemitério de sonhos e esperanças perdidos. Na vida das pessoas a puberdade é um período de vida do qual pouca gente sente saudade. Na vida das empresas além de ser um período difícil é uma ameaça à própria vida. <b>AGENTE IRRITANTE</b> O Centro de pesquisas SATRA, da Inglaterra, se queixou que recente portaria baixada pela União Européia restringindo importação de produtos que contém Dimetilfumarato está causando confusão entre varejistas e importadores de calçados. Dimetilfumarato é um biocida usado para prevenir o mofo durante o período de trânsito ou de armazenamento, e geralmente é fornecido em saches de papel através do qual é liberado. É conhecido como potencialmente irritante para a pele e foi implicado em vários casos de dermatite de contato, com calçados e móveis em vários países da União Européia. <b>CONFUSÃO</b> SATRA acha que o problema está criado por causa da abreviatura com que o Dimetil é tratado (DMF) que pode ser confundido com a mesma abreviatura usada para Dimetil-formamida, solvente usado na produção do PU e que é perigoso inalar. Dimetil-formamida não é proibido, mas existem restrições para uso em locais de trabalho, para proteção dos operários que lidam diretamente com a substância. Como Dimetilfumarato é fornecido em saquinhos de papel é confundido com gel de sílica, que também é usado junto com calçado e cuja função é diminuir a umidade para evitar o surgimento do mofo. Não há casos conhecidos relacionados com gel de sílica. <b>Zdenek Pracuch</b> <i>Sapateiro, shoemaker</i> pracuch@comerciodafranca.com.br

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