Em apenas dois quarteirões estão concentradas sete pensões e mais de cem quartos para quem precisa pernoitar em Franca ou até mesmo se instalar por meses ou anos. Os mini-hotéis disputam o pequeno trecho da Rua Ouvidor Freire, no Centro da cidade, entre as Ruas Marechal Deodoro e Comandante Salgado. A maioria está instalada em imóveis antigos; alguns possuem pisos de taco e forro de madeira. Os preços das diárias são populares. O Comércio visitou seis dos sete hotéis e encontrou taxas a partir de R$ 13, com café da manhã.
Com quartos pequenos, eles têm salas de televisão e banheiros comunitários. Quem procura por um pouco mais de privacidade, pode escolher apartamentos dotados de televisão (a cabo em alguns deles), ventilador e até acesso à internet, além do banheiro particular. Neste caso, pagará até R$ 30 pelo conforto.
Estudantes, viajantes, prestadores de serviço ou aposentados formam o público acostumado a se hospedar nas pensões. Enquanto universitários ficam provisoriamente até que montem suas repúblicas, outros clientes se tornam mensalistas e moram no local. Pagam R$ 300, em média, por mês e têm direito às três refeições do dia.
Para cobrar preços mais em conta, a alternativa é trabalhar com poucos funcionários, que assumem várias funções. Com 20 apartamentos, a Pousada Residence tem apenas dois empregados. A comida é preparada por um jovem de 26 anos, Miqueas Nascimento, que também é responsável por limpar a cozinha. O outro funcionário limpa os quartos e áreas coletivas do estabelecimento. No Hotel Central, seis contratados se revezam nas funções. “Aqui a camareira faz serviço de recepcionista”, disse Marilu Aparecida de Oliveira, 31, proprietária.
Já Maria Auxiliadora de Jesus, 57, proprietária do Mini-Hotel Vitória, não tem funcionários. Para cuidar dos 18 quartos e atender os clientes, conta com apoio das três filhas e dos netos. “Elas não moram aqui, somente eu, mas eles veem me dar uma força”.
Maria Auxiliadora está à frente do Vitória há seis anos, mas atua no ramo desde 1994. Era dona de casa, trabalhou como cozinheira num restaurante e costureira numa fábrica até que arriscou a ter o próprio negócio. Alugou quartos na Rua Voluntários da Franca, na Rua Homero Alves, e agora está no Centro. “Estou à frente deste ponto há seis anos. Não sei há quanto tempo existe, mas antes de mim tiveram dois donos aqui. Em comparação aos outros pontos que toquei, esse é bem melhor. No Centro é bom para todos”, disse ela, que aluga o imóvel por R$ 800 e cobra diárias a partir de R$ 15 e R$ 300 o mês. Seis hóspedes moram no hotel.
As filhas dela seguem o mesmo caminho. Rosa Miranda, 39, é dona da Pensão Jady, também na Ouvidor Freire, há cinco anos. Comprou o ponto da irmã, que estava passando dificuldades na época. Pagou R$ 3,5 mil. Até então, Rosa, que é divorciada e mãe de quatro filhos, trabalhava em dois empregos para sustentar a família. “Sou sozinha para cuidar dos meus filhos. Trabalhava de empregada e depois num restaurante. Fiz acordo e com o acerto comprei o ponto da pensão”.
O local é simplório. Tem 12 quartos, alugados por R$ 300 por mês e R$ 13 por dia. Foi o menor valor de diária encontrado pelo Comércio na Ouvidor Freire. Rosa também não trabalha com funcionários. Um dos moradores da pensão presta serviços em troca da moradia. “Ele quem faz o café, lava as louças e limpa os quartos”.
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