Joaquim Dutra, 77, e Olga Hakime Dutra, 79, moravam numa casa alugada na Vila Santa Cruz. Olga era dona de casa e Joaquim tinha um bar. Cansado de trabalhar com comércio, fez uma proposta para a mulher para trabalharem no ramo de hotelaria. Ela aceitou. Em 1992, “compraram o ponto” da Pensão Santa Mônica, no Centro, e se mudaram com a filha, que ainda era solteira, para o prédio.
Deixaram a casa de dois quartos, sala, cozinha e quintal para morarem num dos apartamentos da pensão. Há 17 anos, os dois dividem o imóvel com os hóspedes que atendem. Dois são moradores. O casal vive num cômodo dividido em sala e quarto. A cozinha é a mesma onde se prepara o café para os clientes. A filha se casou e mora em outro endereço. Olga diz que já se habituou com o fato de dividir a casa. “Já estou acostumada”.
Joaquim disse que a Pensão Santa Mônica é uma das mais antigas da região. “Ela já tem 60 anos”. O local possui 11 quartos. O atendimento é feito por Joaquim e Olga, que contam com apenas uma funcionária. Ela recebe R$ 505 por mês mais o vale-transporte para limpar o local e lavar roupas de banho e de cama.
Joaquim, que paga R$ 700 pela locação do prédio na Ouvidor Freire, não revela o lucro com a locação dos quartos. “A renda é variável. Mas dá pra gente viver. Só que é um serviço duro. A gente não pode sair. Quando queremos viajar, um dos nossos (três) filhos assume os cuidados aqui no hotel”, disse Joaquim.
Em 17 anos, Joaquim e Olga não precisaram de ajuda apenas para viajar, mas para lidar com imprevistos enfrentados com os hóspedes. “Tem horas que somos obrigados a aplicar medidas rigorosas. Tem pessoa que quer ir embora e não tem dinheiro para pagar. Seguramos a bagagem e chamamos a polícia até resolver a situação”, disse ele.
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