Saudosismo a parte, impossível não sentir falta de um tempo em que a vida era bem mais leve, em que não se ouviam nem se liam notícias como as que andam agora, invadindo nossa vida: bandidos invadindo casas, agredindo vítimas inocentes e fugindo, pedofilia, filhos matando pais, pais maltratando filhos, alunos ameaçando professores, depredando escolas.
Parece que o mundo ficou ensandecido. Havia um modo de viver onde cabiam poesia e romantismo, tempo para se aprender a ser pessoas inteiras. Antigamente, quando a gente via uma autoridade, tirava o chapéu. Hoje tira a carteira. Nesse mundo de tantos e inconfessáveis interesses, tenho sentido não apenas fadiga mas uma vergonha íntima, profunda, incomensurável. Perderam-se os limites, perdeu-se a razão. Assusta ver essa loucura que parece ter tomado conta da vida de todos. Um dos piores sintomas de ausência do Estado é quando a vida passa a ser banalizada e o crime, mesmo o mais hediondo, não consegue mais revoltar nem indignar o cidadão comum e nem as autoridades. Estamos vivendo esse tempo, quando a crônica policial e as próprias autoridades encarregadas da segurança, a cada novo homicídio, surgem com a desculpa esfarrapada de que se trata de enfrentamento entre gangs rivais, traficantes de drogas ou de acerto de contas entre traficantes. Para se ter uma idéia, a violência é tanta que nem cachorro escapa. Se `Perré`, um cãozinho, pressentisse o que iria lhe acontecer, certamente não teria fugido de casa, onde era querido por todos. Ficou um mês desaparecido. A estudante de biologia Gabriela Ferreira, dona de `Perré` não mediu esforços para encontrá-lo. Foi ao canil municipal, percorreu ruas e avenidas e colocou anúncios em rádios e jornais. Tudo em vão. Quando suas esperanças de encontrar o cão de estimação terminavam, eis que, numa infeliz coincidência, ao passar por um laboratório do curso de veterinária da Unifran, em visita a uma amiga, encontra `Perré` morto dentro de um tanque de formol junto com outros cães que seriam utilizados para atividades práticas em aulas de anatomia aos alunos.
A responsável pelo laboratório acusa a prefeitura de ter levado até a Unifran os cães mortos, entre eles `Perré`. O chefe da Vigilância em Saúde do município, Fernando Baldochi nega as acusações. A garota dona do cão registrou um boletim de ocorrência para encontrar o culpado pelos maus tratos ao animal, tarefa difícil, nesse jogo de empurra-empurra. Como essa coluna é escrita com antecipação, posso ser surpreendido com uma versão `esclarecedora` para os fatos (Nota do Editor – O colunista escreveu esta coluna na madrugada de quarta-feira, 28 de outubro). Podem afirmar que `Perré`, desgostoso com a `vida de cão` que levava, caminhou alguns quilômetros de sua casa até a Unifran e se atirou no tanque de formol, dando fim a sua existência. Ou então vão comprovar que o cão foi atropelado, por isso teve que ser sacrificado. E apresentam um documento atestando isso. Elementar, meu caro Watson... Tudo fica por isso mesmo e a prefeitura se livra de ter infringido a lei assinada em abril do ano passado pelo governador José Serra que proíbe o sacrifício de animais capturados pela `carrocinha`.
Em nosso País, e já escrevi isso antes, leis são como vacinas, umas `pegam`, outras não. Se não `pegam` vão inexoravelmente para as gavetas das idéias fracassadas. Esbarro na sensação de que o mundo ainda não aprendeu nem aprenderá e me pergunto se vale à pena continuar, lutar, falar, escrever, participar, esbravejar por cidadania, lutar em defesa dos pobres animais indefesos ou tentar compreender em profundidade a dimensão da revolução que coloca o homem no centro e na medida de todas as coisas terrenas.
<b>DOIS ÂNGULOS</b>
Montadoras e concessionárias de veículos estão mantendo a redução do imposto sobre produtos industrializados mesmo com o fim do incentivo. A iniciativa é aparentemente salutar mas pode também significar, primeiro, que a medida do governo não teria sido necessária e, segundo, que os lucros no setor são imensos, muito além do que se poderia classificar como civilizado. Lucrar, tudo bem, é legítimo; mas não tanto!
<b>CIRCULA NA INTERNET</b>
Lógica do carioca da gema: `Se vamos ter Copa em 2014 e Olimpíadas em 2016, que tal enforcarmos 2015`?
<b>DEU ZEBRA</b>
A restituição do Imposto de Renda é paga em sete lotes, entre junho e dezembro. O presidente Lula recebeu na primeira remessa. Mesmo tendo emprestado US$ 10 bilhões ao FMI, era pensamento do governo empurrar R$ 3 bilhões retidos a mais para 2010. Vendo a repercussão negativa, recuou.
<b>NEGATIVO</b>
O Governo Federal quer modificar a legislação antidrogas e aplicar penas menores para os pequenos traficantes. Com isso eles sairiam da cadeia bem mais cedo. E poderiam trabalhar para serem grandes traficantes.
<b>POSITIVO</b>
Começa dia 3 de novembro na sede social da AEC Castelinho e se estende até o dia 7 desse mês a 1ª Semana da Ciência e Tecnologia de Franca e Região, com o intuito de fomentar e despertar o interesse das pessoas a respeito de projetos científicos e tecnológicos. De acordo com a secretária de Educação, Leila Haddad Caleiro, `a intenção é mobilizar crianças e jovens, para que tenham um maior contato com atividades científicas, além de possibilitar a discussão sobre o que é realizado nessa área em Franca.
<b>AUTOMEDICAÇÃO </b>
O médico mal-humorado indagou para o paciente: `todos têm mania de se automedicar. Você, por exemplo: O que fez antes de vir aqui?`.
- Passei na farmácia - respondeu o cliente.
- É? E qual foi a resposta idiota que o farmacêutico te deu?
- Ele me mandou vir aqui, te procurar!
<b>Edward de Souza</b>
<i>Jornalista e radialista</i>
edward@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.