A nata do lixo vem do luxo


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A pujança de um país pode ser medida pelo lixo produzido por sua população. Quanto mais luxo um povo dispuser maior será o volume de restos domésticos ou industriais a ser descartado. Para efeito de comparação, uma pessoa produz um quilo de entulho por dia no Brasil, enquanto que nos Estados Unidos chega-se a 2,5 Kg de resíduos imprestáveis, seguindo a mesma proporção individual e periódica. Essa estatística já tem algum tempo. Com a crise vivida mais intensamente nos EUA, provavelmente hoje os números sejam outros mas, não importa o montante de lixo, o importante para um povo fica na forma como se destrói o acúmulo de resíduos. O que não pode de jeito nenhum é empurrar a sujeira para debaixo do tapete. Mais dia, menos dia, o fedor aparece. Com a paralisação dos lixeiros de Franca por quase um dia foi possível verificar que o lixo não fica embaixo do tapete por muito tempo. Os locais afetados pela falta de coleta comprovaram isso. As calçadas literalmente se alagaram dos mais diversos tipos de restos, já que as sacolas ou os sacos plásticos não suportaram a carga excessiva durante horas a fio. Além da fragilidade dos invólucros usados para acondicionar a sobra do luxo, conta ainda a falta de cuidado ou de educação ambiental da população. A maioria não tem o mínimo de noção para separar o lixo e fazer o devido acondicionamento. O resultado fica em papel higiênico usado, fralda descartável, restos de comida ou de embalagens, papéis diversos e até comprimidos espalhados pela calçada. Muitas vezes, toda essa imundície vai também parar no meio da rua. Normalmente, quando não é a embalagem que não suporta a espera do coletor de lixo, aparece antes um catador de sobras recicláveis. Na pressa de separar os dejetos aproveitáveis acaba deixando o restante esparramado por toda parte. Isso provoca sujeira que depois o pessoal encarregado da limpeza pública ignora e tudo fica espalhado pelo espaço público. Completando o tripé da sujidade, em caso de o lixo ter sido bem acondicionado pela população e também não ter sido atacado antes por catadores de restos recicláveis, entra em ação a correria dos funcionários da empresa terceirizada para coletar os resíduos domésticos, industriais e hospitalares da cidade. Em primeiro lugar os coletores de lixo costumam ir juntando as sacolas ou sacos num único ponto do quarteirão para ser jogado de uma vez só no caminhão. Isso faz com que resíduos caiam pelas calçadas ou pelo meio da rua e por lá permaneçam até ser totalmente triturado pelos pneumáticos de veículos, que em alguns casos passam também por cima de algum cachorro distraído na tentativa de pegar as sobras de alimentos. Na outra ponta da desinformação sobre o destino correto a se dar àquilo que não serve mais, estão as pessoas que se utilizam dos terrenos baldios ou das saídas da cidade. Qualquer lugar serve para esse pessoal descartar a sobra do luxo. Talvez a nata do lixo dessa turma possa estar na própria casa. Tudo é uma questão de reflexo interior! <b>Antônio Araújo</b> <i>Professor de redação</i> tonin.palavras@uol.com.br

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