O time do Aeroporto chegou para ficar. Isso é o que dizem os responsáveis pelo clube, que tem apenas dois anos de criação. O motor dessa paixão é movido pela "Nação do Aeroporto", nome dado à torcida da equipe. Tudo começou com participações nos jogos de futebol de chácara da cidade. Foi através de uma conversa informal que o grupo de jogadores e torcedores resolveram se juntar e fundar o clube que hoje conta com a maior torcida da cidade. "Em todos os jogos a presença de nossos torcedores é notada. São de 200 a 300 pessoas na arquibancada vibrando pelo Aeroporto", conta, orgulhoso, o presidente, William César de Andrade.
Ser Aeroporto é um "carnaval", definem os torcedores. Fogos de artifício e instrumentos musicais como tambores, cavaco, chocalho, surdo e caixas moldam o ritmo do bairro. "É sempre uma festa. A turma aqui (nos dias de jogo) é animada. Ninguém pode com a gente", disse a mulher do presidente Willian e torcedora, Virgínia Silva Rodrigues. Ela sempre leva seu filho de 2 anos, Juan Rodrigues, para assistir aos jogos.
Os torcedores não são apenas do bairro. Alguns moram no Alvorada, Noêmia e Elimar. "Não sei dizer quantos, mas não são poucos, viu. O Aeroporto junta todo mundo", contou o presidente do time.
Ele mencionou ainda a força de vontade das pessoas. "Para chegar aos destinos das partidas os torcedores lotam ônibus, vans e pegam carona com quem tem carro. Sempre arrumam um jeito, o que não podem é deixar de ir", disse o orgulhoso Willian.
A preparação dos torcedores começa cedo. Às 9 horas, a maioria já se preparou para o encontro com o ônibus que levará até o jogo. Às 10 horas, é o horário de todos estarem na rotatória do Aeroporto II, local de onde sai o ônibus. Depois a condução passa pelo resto do bairro. Em cada esquina um torcedor vira passageiro. "Para ir vai uns 100 e para voltar, tem uns 200", disse o diretor do time, Alex Leonardo Cavalcante, o Tibreca.
Dentro do ônibus a animação e cantoria contagiam o motorista, Ilton Aparecido de Souza, o Muçum, 76. "Moro aqui no Aeroporto e também sou Nação", disse Muçum.
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Tanto pelas ruas onde passam, quanto na chegada ao campo, não há quem não perceba a torcida Nação. No ritmo dos instrumentos os torcedores já criaram mais de 20 paródias. "Todas falam do nosso amor pelo time", disse o diretor Tibreca.
Para os seguidores do Aeroporto, nada de time profissional como Corinthians, São Paulo ou Flamengo, o que está no coração é o time da várzea. "Não tem igual", disse o torcedor Fausto Rubens, 25, que mesmo com a perna quebrada e de muletas não perde as partidas do time.
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