Não as impeçais


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A notícia sobre menina de 11 anos que assassinou coleguinha de 6, espantou a todos. Como entender que uma criança, mal surgida para a vida, tenha instinto de matar? O que leva alguém que devia estar brincando com bonecas a tomar uma atitude tão violenta? Se admitirmos que ali está um espírito, criado por Deus, como explicar que este espírito aja tão drasticamente? Será imperfeição da Obra Divina? Impossível! Sendo perfeito no mais lato sentido, Deus não pode criar a imperfeição. Será que os fatores genéticos, por si, podem justificar o acontecido? Mas a matéria (e, portanto, os fatores genéticos) não foi criada por Deus? Será que o Divino Arquiteto está submetido àquilo que criou? Não é Deus mais do que matéria? E não é o espírito que domina a matéria, dando-lhe os atributos morais e intelectuais? Por outro lado, não terá sido a televisão com seus programas deseducadores, que levou a menina a agir violentamente? Ou será que um lar desestruturado provocou a tragédia? Claro que os fatores são diversos e todos devem ter interferido na formação do caráter da pré-adolescente. No entanto, somente a pluralidade das existências pode explicar e justificar a atitude tomada pela jovenzinha. Ali está um espírito milenar, que já viveu inúmeras experiências. Traz gravada na sua consciência de espírito eterno a lembrança de muitos atos praticados no campo da violência. Pode ser que se trate de um espírito ainda imaturo e que tenha arraigado na sua estrutura espiritual o uso da violência como forma de solução dos problemas. Perguntará alguém: se todos fomos criados por Deus, como surgiu a violência no campo do espírito? Surgiu por opção do próprio espírito que, voluntariamente se fez arrojar às dificuldades por descumprir a Lei de Deus. Outros perguntarão: e a menina que morreu, o que tem a ver com isso? Não há acaso na Lei de Deus. Provavelmente ela (a que sofreu a morte) pediu para passar pelo doloroso transe, a fim de quitar-se perante a própria consciência. E a Lei que tudo sabe, reuniu as duas. Ai, os demais fatores são concorrentes para que tudo se realize, objetivando o bem, a melhoria, o progresso. Dir-se-á então: a que matou deverá vir em nova reencarnação para ser morta? Claro que não. Não é isso que ensina o Espiritismo. A sabedoria da Lei de Deus possui inúmeros meios para que cada um quite-se com a própria consciência. Um desses meios é a prática do bem, da vivência do amor que – não nos esqueçamos –, `cobre a multidão dos nossos pecados`. De nossa parte compete-nos tudo fazer para que a influência do meio não atrapalhe o crescimento do espírito; tudo fazer para que a criança receba toda a educação, sobretudo pelo exemplo, dentro dos ensinamentos do Mestre Jesus! Ai estaremos conforme nos pediu Jesus: `Deixai vir a mim as criancinhas. Não as impeçais!`. Felipe Salomão Bacharel em Ciências Sociais e membro do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)

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