A tragédia que praticamente dizimou a família de Valéria Gomes Freitas aconteceu na manhã do dia 24 de outubro de 2008. Com o revólver do pai, o ex-seminarista Hélder Massucato Rezende, de 46 anos, atirou contra a mulher, os três filhos (as gêmeas Júlia e Letícia, com 10 anos na época, e Alexandre, de 7), sua mãe, Lourdes Massucato, 75, e se matou. O assassino e a senhora morreram na hora. Letícia e Alexandre chegaram a ser levados para o hospital, mas não resistiram. As únicas sobreviventes foram Valéria e Júlia. A cabeleireira foi atingida na parte esquerda da cabeça e perdeu a visão desse lado.
O casal, que estava junto havia 15 anos, se mudara para a casa dos pais de Hélder fazia 20 dias. No momento da chacina, o pai dele, Augustinho Rezende, não estava em casa. Quando chegou, se deparou com a residência tomada por policiais e os familiares feridos. Augustinho morreu, aos 79 anos, sete meses após a chacina. No dia 19 de maio, ele passou mal e sofreu uma parada cardíaca.
Um mês depois do falecimento do sogro, Valéria se mudou para a casa onde o crime aconteceu. Desde junho, ela e Júlia residem no imóvel. A decisão de viver no mesmo local em que seus filhos foram mortos deixa muitas pessoas surpresas, mas, para ela, isso é algo superado. “Lembranças vou ter em qualquer lugar do mundo. A vida da gente passa tão rápido, então, por que ficar vivendo nas tristezas sendo que a gente pode viver coisas boas?”.
Valéria acredita que o marido tenha sofrido um surto de esquizofrenia no dia do crime. Não há exames médicos que comprovem a doença, apenas uma associação feita por Valéria. Ao assistir à novela Caminho das Índias, ela percebeu semelhanças no comportamento do personagem Tarso, que era esquizofrênico, com o de Hélder. “Meu marido era extremamente inteligente e amoroso comigo e meus filhos, mas costumava ter algumas visões, como o Tarso. É um perfil muito parecido”.
Além disso, Hélder teve problemas com alcoolismo e quadro depressivo. Ele tomava medicamento controlado. “Ele se tratava com remédio de tarja preta, mas meu sogro pediu para ele parar de tomar porque ficava muito sonolento. Ele parou, de uma vez. Acredito que isso provocou tudo”, disse a cabeleireira.
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