Zona de risco


| Tempo de leitura: 3 min
Claudinha chega da escola, mal fala com a mãe e vai para frente do computador. Dá uma olhada em seu e-mail, começa a bater papo com as amigas. E ali ela fica. As horas passam, a fome aumenta. A conversa está muito boa, não dá nem para fazer uma pausa para um lanchinho. Então ela decide fazer aquela “boquinha”, diante do PC mesmo. As mãos, que não foram lavadas quando chegou em casa, continuam sujas. Claudinha, talvez, não saiba, mas ela não está só. O seu teclado é considerado uma “zona de risco”. Claudinha, não existe. É apenas um personagem. Mas, com certeza, muitos vão se sentir protagonistas desta história. Um estudo feito pela Universidade Gama Filho, do Rio, revelou que o teclado e o mouse representam riscos para as pessoas em razão da facilidade de contágio de doenças como gripe, infecções de garganta, alergias, bronquite e sinusite, entre outras. Quanto maior o número de usuários, pior é. Principalmente, se nenhum deles se preocupa em fazer uma higienização do micro. Dependendo do teclado ele pode ser comparado até mesmo a carrinhos de supermercado ou apoios para mãos em ônibus. Estes lugares foram descritos como extremamente “sujos” pela pesquisa que abrangeu 50 PCs de redes parti-culares. 80% apresentaram focos de bactérias e fungos. Segundo o infectologista francano, Rubens Pereira dos Santos, as migalhas do lanche daquele dia e dos passados, aliadas a pele, cabelo e o pó transformam esta parte do micro em um reservatório de fungos e ácaros. “É como compará-lo a uma cortina que não é lavada ou a tapetes e paredes mofadas e cheias de ácaro”, disse. A estudante Sabrina Rodrigues Andrade, 14, - está sim, existe - confessa que nunca se preocupou muito com isso. Como toda adolescente adora passar horas em frente ao computador. A mãe bem que tenta, mas várias refeições da estudante são feitas em frente ao micro. “Quando tenho trabalho de escola eu janto em frente ao computador mesmo. Como muitas vezes eu deixo para a última hora, não é possível parar para comer”, disse. Sabrina não liga para as bactérias e micróbios que podem “morar” no seu teclado. “Nunca pensei desta forma. Sei que o teclado costuma sujar muito por que nem sempre as mãos estão limpas quando teclamos. Mas tomo cuidado para não deixar cair nada e também não bebo em frente ao PC para evitar que o líquido seja derramado”. Quando o teclado adquire aspecto de sujeira, a estudante dá aquela limpeza básica. “Quando percebo que ele está muito sujo dou uma sacudida para sair o pó”. Deixar de comer em frente ao computador, não. “Minha mãe pega no meu pé, mas tomo cuidado. Coloco o lanche ao lado”. Rubens Pereira reafirma que o melhor é lavar bem as mãos antes de usar o computador e que, de preferência, deve estar em dia com a limpeza. É preciso, no entanto, se preocupar com o PC. O proprietário da Quality Informática, Cleiton Rosa Peixoto, afirma que o ato de fazer aquele lanche em frente ao micro pode trazer danos para o equipamento. Se cair líquido então, o prejuízo pode ser ainda maior. “Dependendo do dano é melhor trocar o teclado”.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários