Um casal e duas crianças, de 3 e 6 anos, estão vivendo em condição de risco no Jardim Palmeiras. A família mora em dois cômodos construídos em uma área de preservação permanente há mais de três anos. No início deste ano, após fortes chuvas, uma imensa voçoroca surgiu nos fundos da casa, onde passa um córrego. A situação piorou a partir do temporal que caiu na cidade na segunda-feira à noite. Uma grande árvore foi arrancada pela força das águas. Algumas bananeiras também foram levadas. A voçoroca está a menos de três metros da parede da casa. O casal teme perder o pouco que possui, mas alega não ter para onde ir.
João Ribeiro de Araújo e Meire Xavier compraram a casa por pouco mais de R$ 1 mil. Queriam se livrar do aluguel para ter condições de alimentar bem os filhos. Estavam conscientes de que a construção era irregular, mas ainda assim arriscaram. “Era o que dava para a gente comprar na época. Não tínhamos como pagar aluguel”, disse Meire. O pequeno imóvel foi feito de alvenaria, mas é muito simples. Não tem reboco e o chão é de terra batida. Também não conta com infraestrutura como ligação de água e galeria de esgoto. A água usada é de uma mina existente no bairro. A energia elétrica é a única que chegou ao local.
Um dos cômodos é ocupado por uma cama de casal - onde dormem João, Meire e a criança de três anos -, além do fogão, armário e geladeira. No outro, cabe apenas a cama do filho de seis anos e uma televisão sobre um móvel. Em uma varanda, a família colocou um sofá velho. É lá que passam a maior parte do tempo com as crianças.
Meire afirmou que há pouco mais de um ano uma assistente social da Prefeitura os procurou e disse que eles seriam contemplados com uma casa popular no Jardim Santa Bárbara. Mas, nesta semana, ao procurar a Prefeitura, descobriram que os imóveis sequer foram construídos. Acontece que no início deste ano, o Ministério das Cidades, órgão ligado ao governo federal, cancelou os contratos de habitação com as cidades que ainda não haviam aberto o processo de licitação. Os recursos foram direcionados para o programa “Minha Casa,Minha Vida”. Com isso, Franca perdeu quase R$ 800 mil que seriam usados para a construção de 28 moradias. “Agora estamos sem perspectivas. Era a nossa esperança de sair daqui”, disse Meire.
Vivendo com R$ 320 por mês, da pensão por invalidez que João recebe do INSS - ele foi operado da coluna - e de ‘extras’ da venda de verduras plantadas no ‘quintal’, o casal não sabe o que fazer. “A Prefeitura nos mandou ir para o abrigo, mas não dá para ficar lá com duas crianças. Meus filhos são muito pequenos para conviver com estranhos”, disse João.
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O secretário de Ação Social, Roberto Nunes Rocha confirmou que a família havia sido contemplada com uma casa popular no Jardim Santa Bárbara e que continua inscrita no cadastro da moradia popular, mas não há projetos e nem prazos para a entrega desses imóveis.
Como solução para a família, o secretário ofereceu o Abrigo Provisório até que consigam um lugar seguro para morar. Eles não aceitaram. “Querem que a Prefeitura pague aluguel para eles. Isso não podemos fazer”, disse Rocha.
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