Ypiranga minha vida: 30 anos. Essa é a frase estampada na camiseta dos jogadores e torcedores do time da região leste de Franca. Neste ano, o clube completa seu trigésimo aniversário. Criado em 1979, ele não é o mais antigo, mas é o único que nunca deixou de participar do Campeonato Varzeano. Jogar o torneio virou uma tradição para a comunidade do Jardim Seminário.
É no bar do Baianão, presidente do clube, Maurilio Carlos, e na casa do fundador, o aposentado de 84 anos José Carlos, que a torcida se encontra para falar do time e relembrar os velhos tempos de "peladas".
Na frente da sede, instalada na casa de José Carlos, existe no imaginário dos torcedores mais saudosistas um campo gramado, onde com uma bola de capotão foram dados os primeiros chutes daqueles que originaram o Ypiranga. O local hoje é uma escola municipal e uma praça. "Época boa aquela, viu. Joguei muito. Fui jogador da várzea. Participei dos campeonatos até os 40 anos", relembrou José.
Quando o campo foi extinto, a turma do Seminário ficou sem lugar para treinar e reunir os amigos. O atual objetivo do Ypiranga é tentar construir um novo espaço para futebol no bairro. O filho de José Carlos, Maurilio, também conhecido como Baianão (presidente do clube) é quem passou os últimos 12 anos empenhado nessa ação. "Não temos nenhuma praça de esportes. O nosso bairro é o único que não possui essa área de lazer", disse Maurilio.
O Ypiranga sobrevive com base em uma família - Antônio Carlos, José Carlos, Carlos Eduardo e Milton Carlos, o Miltinho, (todos irmãos). Eles estão espalhados na diretoria. "O segredo de nossa persistência é a união. Nós (diretores e torcedores) somos um só", exemplificou Baianão.
Além de comparecer aos jogos para lotar as arquibancadas e torcer, os amantes do Ypiranga ajudam nas despesas de transporte e uniformes. "Todos trabalham juntos na realização de quermesses, vendas de pizzas e jantares", contou Baianão.
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Para Miltinho, a força dada pelos torcedores também contribui no rendimento dos jogadores. "Desde 2003, quando fomos campeões, o time vem ganhando espaço e sempre ficamos entre os cinco primeiros no campeonato. O amor impulsiona e ajuda sempre a buscar o melhor (resultado)".
Para disputar um campeonato neste ano, a alternativa foi chamar jogadores de fora e ex-atletas profissionais. "Antes nós jogávamos só com jovens, garotos do bairro, mas neste ano procuramos diferenciar e dos 20 jogadores, oito são de fora e três são ex-profissionais", informou o presidente. A tática parece estar dando certo, pois a equipe lidera a temporada do Varzeano.
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