A burocracia argentina para a entrada de produtos brasileiros e a concorrência chinesa têm prejudicado as exportações de calçados de Franca. Até setembro desse ano, dados do Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca) apontam um prejuízo de quase US$ 5 milhões em relação ao mesmo período do ano passado. A queda nas vendas representa 171 mil pares de sapatos que deixaram de ser exportados. Uma redução de 54,3% se comparado ao total vendido àquele país nos nove primeiros meses de 2008.
As restrições que têm brecado as exportações do produto francano estão sendo impostas pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner, que limitou a quantidade de pares exportados por ano do Brasil em 15 milhões e ainda determinou que as negociações tenham por base o valor do dólar no câmbio paralelo (normalmente mais alto que o comercial). A ideia seria fortalecer a indústria local, que inclusive conta com filiadas brasileiras.
Para o diretor comercial da empresa francana Kissol, Carlos Roberto de Paula, a situação é difícil a ponto de fazer com que diversas decisões sejam revistas. “Atualmente não temos nenhum negócio com a Argentina e isso já faz algum tempo. Tínhamos no ano passado uma exportação muito boa com a Venezuela, mas um acordo entre os dois países fez com que os negócios também se complicassem por lá”. Em 2008 a empresa exportou 30 mil pares para o mercado venezuelano. Neste ano, até o momento, o volume não passou de oito mil pares.
Segundo Carlos, a redução nas compras estaria aliada ao fato do presidente Hugo Chaves querer adquirir os calçados somente da Argentina. “Diante desse cenário, precisaremos repensar cortes na produção, rever preços, mercados e custos”.
Presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão do Couto, disse que muitas empresas da cidade deixaram de exportar para a Argentina devido à instabilidade daquele mercado. Ele diz que as barreiras já existem há algum tempo e que hoje são poucos empresários francanos que ainda tentam negociar com aquele país. “Franca tem grande interesse de exportar para lá, porém antes é preciso estabelecer regras e fazer com elas sejam cumpridas. Só não tivemos mais prejuízos com essa queda porque o mercado interno ajudou. Caso contrário, a situação poderia estar pior”.
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