Seja em uma partida oficial ou apenas de brincadeira, a torcida sempre é chamada de "motor" do time. No Campeonato Varzeano de Franca, ela já conquistou seu espaço, é reconhecida pelos jogadores e diretores dos clubes e faz um verdadeiro espetáculo, seja para pressionar o juiz ou para levantar o time.
A partir de hoje, o Comércio da Franca mostra pessoas e grupos que, às vezes, não aparecem nas fotos, mas têm verdadeira paixão pelas equipes de várzea. Começamos a contar essa história pelo clube que está mais carente de apoio da arquibancada. O Internacional sabe bem o valor que é ter gente gritando a seu favor do lado de fora do campo. Por isso mesmo, é a equipe que conta a primeira história da "Torcida da várzea".
O objetivo do Internacional neste ano é reconquistar o coração dos torcedores. Há oito anos a equipe era uma das que lotava as arquibancadas nos campeonatos. O motivo de tantos adeptos eram as seguidas vitórias do time.
Em 2000, o clube parou de participar de campeonatos e ficou no ostracismo por seis anos. Voltou em 2006 e se licenciou em 2008. Com tantas pausas, não há torcida que resista. É claro, sempre restam os abnegados.
Valter Luís Pereira, um dos fanáticos pelo Internacional, é um dos resistentes. Quem vê Valter hoje, com 52 anos - servidor público, casado e pai de dois filhos - não imagina que aos 22 era fã de carteirinha e conhecido pela equipe como Girafa. "Não deixava de ir a um jogo. O ônibus ia lotado quando a partida era fora de casa", disse Girafa. Valter amava tanto o time que foi um dos sócios fundadores do clube que possui piscina e várias outras estruturas em sua sede.
As lembranças de Girafa são de tempos remotos, de histórias engraçadas. "Lembro como se fosse ontem. Estávamos ganhando um jogo (não me lembro o time e o local), mas o juiz, que era da cidade, não aceitava e só prorrogava (a partida), foi acréscimo em cima de acréscimo. Já estava anoitecendo e o juiz não apitava o final do jogo. Ele só terminou a partida quando o outro time conseguiu o empate. Depois brigamos muito, foi uma confusão", recordou o torcedor.
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Assíduo espectador dos jogos do Inter da Vila Santos Dumont, Girafa reconheceu que a ausência do time nos campeonatos desestimulou em parte a paixão. "Faz mais de quatro anos que nem vou mais aos campos", assumiu Valter. "Sem os jogos fiquei sem o que fazer no fim de semana, aí fui perdendo a vontade", disse.
A diretoria do Internacional desdobra-se para recuperar torcedores como Girafa. "Uma das alternativas que tomamos foi conversar com antigos torcedores, para que voltem e tragam seus filhos", disse o zelador do campo, Márcio Bernardino.
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