Franca vive o boom dos super-hipermercados! Ao longo dos últimos cinco anos o setor atravessa profunda transformação e a tendência é que grandes redes nacionais engulam os pequenos. Os cinco maiores grupos supermercadistas que atuam no Brasil já se enfrentam em Franca. E quem ganha é o consumidor, certo? Nem sempre.
Para que o consumidor leve vantagem é preciso ter cautela e agir com inteligência, até porque as grandes redes são experientes e sabem atuar concorrendo entre si, mas também recuperando seus lucros em cima do consumidor.
A primeira falácia que precisa ser sepultada é `não pesquise preços porque o combustível que se gasta é maior que a economia que você faz comprando mais barato`. Definitivamente, a ordem é pesquisar preços e preferencialmente comprar somente o necessário procurando promoções.
Importante que você saiba que cada supermercado coloca produtos em oferta para atrair o consumidor mas, outros produtos, considerados essenciais têm seus preços elevados para compensar os preços reduzidos das ofertas. Se o consumidor compra tudo em um só estabelecimento, ao final das contas gastará mais. Seria interessante se comprasse, em um e outro estabelecimento, apenas as promoções. Portanto, repito: faça pesquisas.
Aquele consumidor que tem um tempo maior pode ainda fazer uma planilha com preços dos meses anteriores e, quando houver um aumento abusivo do preço do produto, mude de marca ou boicote o produto se for possível. Assim você estará exercendo controle sobre os preços dos produtos e não ficará submetido à força dos fabricantes.
Às vezes ocorre do consumidor verificar um produto no panfleto de ofertas e este produto não estar disponível na gôndola. Neste caso o consumidor pode exigir produto semelhante ou de melhor qualidade. Alguns supermercados abusam ainda colocando um preço na gôndola (R$ 1,99) e outro no caixa (2,99). Neste caso, o consumidor tem o direito de exigir o menor preço.
O consumidor reclama que como o produto não possui etiqueta fica difícil conferir, no caixa, o preço de cada produto. A alternativa é fazer um teste por amostragem: anote o preço de uns dez produtos e os confira no caixa.
Um abuso cometido constantemente é a comercialização de produtos com data de validade vencida. Esta prática comercial, além de abusiva, é criminosa. O consumidor que identificar produtos vencidos na gôndola deve chamar o gerente e avisá-lo. Pode ainda denunciar ao PROCON e à Vigilância Sanitária.
Problema também constante é o chamado "produto maquiado": o fabricante diminui o peso ou a quantidade sem avisar o consumidor, mas mantém o mesmo preço ou até elevando-o. Cabe ao consumidor denunciar ao Ministério da Justiça ou ao PROCON para que haja fiscalização e punição aos infratores.
A venda casada também ocorre naquelas promoções "leve 2 produtos e ganhe mais", embalados conjuntamente. Fica descaracterizada a venda casada quando há opção do consumidor em comprar em separado os produtos. Senão, é prática abusiva prevista no art. 39 do Código do Consumidor, passível de punição ao estabelecimento.
Destarte, nesta guerra entre os supermercados, o consumidor pode levar vantagem se comprar apenas o necessário e, de preferência, as ofertas. Agindo assim, será vitorioso, já que os supermercados continuarão se enfrentando por preços cada vez menores. Fazendo suas compras integralmente no mesmo supermercado, contribuirá para que os supermercados saiam vitoriosos.
<b>GALÕES D`ÁGUA</b>
A mudança de hábito do consumidor que deixou o velho filtro de água e passou a consumir água em galões é uma realidade. Assim, para garantir a qualidade da água comprada em galões o Ministério de Minas e Energia baixou as Portarias nº 387/08 e 358/09, que já estão em vigor e estabelecem o prazo de validade de três anos de vida útil dos galões de água mineral com 10 ou 20 litros. É importantíssimo deixar claro que o custo e a responsabilidade pela troca dos vasilhames são dos fornecedores – indústria, distribuidores e responsáveis pela comercialização. Não o consumidor.
<b>GARANTIA E DESINFORMAÇÃO</b>
É cada vez mais comum o oferecimento de garantia `estendida` na compra de produtos, pelas lojas. No entanto, a desinformação sobre as condições de tais garantias é muito grande. Em pesquisa da Fundação Procon-SP foi constatado que a maioria dos consumidores (71,26%) que contrataram este serviço não foram informados de que se tratava de seguro. Outra falha detectada relacionada à informação foi que 31,03% não receberam o contrato. Entre os que tiveram acesso ao contrato, para quase todos (96,67%) isso só ocorreu no ato da contratação, ou seja, não tiveram conhecimento prévio das cláusulas previstas nas Condições Gerais da Apólice. Consumidor, muito cuidado. Desinformação pode levá-lo a perder direitos.
<b>ETANOL</b>
A ANP obrigou os postos de combustíveis a adotarem a nomenclatura internacional "Etanol" para o álcool vendido. Mas, apesar da mudança do nome, o preço continua salgado. Resta ao consumidor procurar o preço mais baixo para forçar queda. Antes de abastecer, faça uma ampla pesquisa de preços e compre no posto que realmente tiver o menor preço.
<b>CONSUMO CONSCIENTE</b>
Foi noticiado por este Comércio que o Procon Franca irá às escolas francanas divulgar informações sobre consumo consciente através do projeto Observatório Social das Relações de Consumo. Digno de aplausos a iniciativa do Procon de priorizar como estratégia a educação para o consumo. Que tenha continuidade...
<b>Advogado, ex-coordenador do Procon Franca</b>
<i>denilson@comerciodafranca.com.br</i>
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