A autoridade e o serviço


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A Sagrada Escritura que emoldura a celebração eucarística deste domingo ensina que na Igreja não há chefes que mandam e súditos que obedecem; pessoas honradas, respeitadas, destacadas e outras pessoas de dignidade inferior. Todos são irmãos e todos devem estar dispostos a servir aos outros. Os trechos que serão proclamados são estes: Is 53, Hb 4 e Marcos 10. O anseio de todos os homens é vencer, não perder; procuram ter domínio sobre os outros, não colocar-se a serviço dos outros. Deus tem idéias diferentes e, para educar o seu povo para a aceitação deste ideal de doação da própria vida, apresentou, desde o Antigo Testamento como exemplo o "Servo fiel". A leitura é composta de duas partes: na primeira aparece o aspecto humilde desse "servo". Não tem beleza, nem poder. Pelo contrário. É uma pessoa fraca, desprezada e derrotada. Na segunda parte esclarece como Deus faz para avaliar a vida deste "servo". Aquilo que aos olhos dos homens é um fracasso, para Deus é um triunfo. É através do sacrifício, do sofrimento, do dom de si mesmo que Ele realiza a salvação. Ele é a imagem perfeita de Jesus que trouxe a salvação para os homens não com o domínio sobre eles, mas humilhando-se, prostrando-se diante deles para servi-los, doando-lhes a própria vida. A segunda leitura trata do tema da situação humana que Jesus vivenciou enquanto esteve no mundo. A passagem da Carta aos Hebreus afirma que Cristo tem a capacidade de entender todas as nossas fraquezas porque ele foi tentado em tudo como nós; a única diferença é que, enquanto nós frequentemente faltamos com a fidelidade a Deus, ele nunca foi vítima do pecado. Essa afirmação é para todos nós motivo de grande conforto. Revela-nos um Jesus muito próximo, muito sensível aos nossos problemas. Ele não fingiu ser homem, mas o foi de fato, passou por todas as dificuldades que nós temos que enfrentar e, portanto, tem conhecimento de como é difícil manter a fidelidade a Deus especialmente quando se é provado pelo sofrimento. No evangelho, a passagem descrita indica que Jesus está a caminho de Jerusalém, onde será crucificado. Vai adiante dos seus discípulos. Ele havia falado de tudo que sofreria e os discípulos estavam assustados. Nessa circunstância se dá um fato interessante. Os dois irmãos, Tiago e João, se apresentam a Jesus e ousadamente, na frente de todos, sem qualquer recato, lhe dizem: "Mestre, nós queremos que nos concedas tudo o que te pedimos!". Não pedem nem sequer "por favor", mas exigem: "nós queremos afirmam nós temos certeza que, no reino que estás para fundar, os primeiros lugares cabem a nós". Os dois irmãos não são discípulos comuns: são duas personalidades de destaque na Igreja primitiva; contudo, durante muito tempo revelaram uma total incompreensão frente à proposta central da mensagem cristã. Isso se repete também em nossos dias. Os cristãos mais exemplares, mais participativos, mais disponíveis para o serviço dos irmãos, os que se envolvem ativamente em todas as iniciativas comunitárias também podem estar sujeitos a querer se impor sobre os demais. Quando entre os seus discípulos, se manifestam ambições de honrarias, de privilégios, de primeiros lugares, Jesus não se mostra de forma alguma condescendente, porque toda ambição, mesmo a que possa parecer a mais singela e inocente, coloca em risco os fundamentos da sua proposta. Em relação a João e Tiago ele é severo e duro: "Vós não sabeis o que pedis". Em seguida responde à pergunta que lhe foi dirigida: "o lugar na glória é um dom gratuito do Pai, não é uma realidade que possa ser conquistada apresentando merecimento". Eles se equivocam imaginando o Reino de Deus segundo o modelo dos reinos deste mundo, nos quais há a escalada para os primeiros lugares. Não conseguem entender que, perante Deus, não é possível apresentar pretensões baseando-se em boas obras: dele recebemos sempre e somente dons. O modelo a ser seguido ensina Jesus é o do servo, que ocupa o nível mais baixo na sociedade, a quem todos podem dar ordens. Para completar o quadro podemos elencar outras atitudes que foram condenadas severamente por Jesus, atitudes diante das quais o cristão deve sentir uma aversão instintiva: apresentar-se com ostentação, querer aparecer, andar com roupas luxuosas e especiais; com pomposas condecorações para destacar-se dentre os outros, pretender posição de destaque nas festas, exigir os títulos de "Rabbi", "Mestre", "Pai". Enfim, a Palavra de Deus vem nos dizer que: os diversos dons e aptidões não foram concedidos por Deus para provocar divisões, para estimular a competição, como geralmente acontece entre os homens, mas para a comunhão e a complementaridade. Ser grande quer dizer ser o último e o servo de todos, como ensina o exemplo de Cristo. <b>DIA DO MÉDICO</b> Hoje comemora-se o Dia do Médicom cujo patrono é São Lucas, evangelista que foi médico. A vocação do médico é um sacerdócio-doação no cumprimento da sua tarefa-missão. Cada médico contribui com Deus na continuidade da vida. É a vocação que mais se aproxima do objetivo do Criador: dar a Vida, preservar a Vida e prolongá-la. <b>PENSAMENTO</b> "Um coração puro encontra em tudo o conhecimento de Deus". <b>José Geraldo Segantin</b> <i>Pároco da Catedral de Franca</i> segantin@comerciodafranca.com.br

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