Não fossem algumas publicações alternativas ou mesmo informações que circulam na rede virtual ninguém ficaria sabendo que além da campanha `Criança Esperança` outras, tão ou mais importantes, acontecem no Brasil e pelo mundo afora.
No período de 16 a 18 de outubro o Brasil pretende reunir cerca de 152 mil pessoas nas diversas atividades que visam o cumprimento dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). A campanha, em sua quarta edição, tem como tema "Levante-se e faça a sua parte contra a pobreza e a desigualdade`.
Nesse mesmo período diversos eventos pelo mundo repercutirão as metas sócio-econômicas assumidas por diversos países (191) da ONU e que deverão ser cumpridas até 2015. A ação, espalhada pelo mundo, tem uma característica particular: durante as manifestações (atos, passeatas ou debates) os participantes fazem uma pausa, se agacham e se levantam na seqüência. Esse gesto já garantiu a sua inclusão no Livro dos Recordes – Guinness Book –, como `a maior manifestação em uma semana`. Em 2008 foram 116 milhões de pessoas pelo mundo afora.
A importância desse movimento mundial é que o seu plano - oito objetivos a serem mundialmente conquistados até 2015 - compreende estratégias da gestão municipal para a redução da pobreza no planeta. Esses oito objetivos compreendem os temas próprios da sustentabilidade social e econômica do desenvolvimento nos municípios: (1) erradicar a extrema pobreza e a fome; (2) atingir o ensino básico universal; (3) promover a Igualdade de gênero e a autonomia das mulheres; (4) reduzir a mortalidade infantil; (5) melhorar a saúde materna; (6) combater o HIV/Aids, a malária e outras doenças; (7) garantir a sustentabilidade ambiental e (8) estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento.
Estes Objetivos do Milênio são desafios enfrentados por toda a humanidade e em todos os cantos do planeta. São conquistas desejadas por todos e que estão diretamente ligadas, como causas diretas, a outras misérias que ocorrem em todos os cantos: guerras, catástrofes ambientais, perseguições políticas, discriminações culturais e raciais, violências contra minorias sociais e contra as mulheres. É notório que alguns desses objetivos, se conquistados, muito do que há de ruim na humanidade seria definitivamente eliminado.
É de se desejar, realmente, que a sociedade adquira capacidade de mobilizar-se nesses momentos de manifestação global. Isso serviria para o despertar de muitas das nossas autoridades públicas e políticas e quiçá, de parte importante do empresariado nacional. São atos e manifestações como essa que precisam ter a devida repercussão nos meios de comunicação. Mesmo que não atinja o grau de mobilização pretendido, lembrará que é aos poucos que construiremos uma nova consciência. As pessoas, devagar, vão compreendendo que não constroem suas felicidades sozinhas já que para ser feliz é necessário que o vizinho também seja e, se lhe falta alguma coisa, temos que ajudá-lo a conquistar.
Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário
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