Um professor de 38 anos da rede estadual de ensino de Franca foi acusado de molestar sexualmente duas crianças de apenas 11 anos. Os casos teriam ocorrido dentro da escola na qual o professor trabalha e as crianças estudam. As denúncias foram feitas pelas próprias alunas. Agentes da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) investigam as acusações desde o último dia 23 de setembro. Na ocasião, uma menina contou que o docente havia passado a mão em seu seio. Uma semana depois, encorajada pela denúncia da colega, outra criança afirmou ter sido vítima do mesmo professor. Ela teria praticado sexo oral no acusado. O fato teria ocorrido em três oportunidades. As crianças estudam no mesmo período e na mesma série, mas em classes diferentes. A delegada Graciela de Lourdes Davi Ambrósio ouviu desde então as duas vítimas e seis alunas da escola, todas colegas das duas garotas. Elas não foram vítimas, mas disseram que viram o professor entrando nas salas vazias com as meninas.
O caso mais grave veio à tona no início deste mês quando a segunda vítima contou à mãe ter sido molestada pelo professor denunciado. A mãe não quis conceder entrevista ao Comércio, mas autorizou a polícia a revelar parte do depoimento de sua filha. Segundo relato à delegada, o professor teria conduzido a criança até uma sala de aula vazia. Lá, teria feito com que ela praticasse sexo oral nele. "Nós tivemos denúncias de que ele teria praticado atos libidinosos com esta outra criança no interior da escola. Este fato teria ocorrido por três vezes. A criança confirma toda a história. Ela disse que ele a levava para outra sala de aula, fechava a porta e ali passava a mão em seu corpo. Chegou a fazê-la praticar sexo oral nele", disse Graciela. A delegada não revelou detalhes das outras ocasiões em que a violência teria ocorrido.
Segundo o depoimento da garota, o professor ia até sua classe e pedia autorização ao professor presente para que ela o acompanhasse. Sem suspeitar de nada, o professor que estava dando aula deixava o acusado levar a estudante. "Estamos ouvindo outras crianças que tomaram conhecimento dos fatos, que sabem da postura do professor e nos passaram outras situações. Só não podemos revelá-las, pois ainda estamos investigando tudo", disse a delegada.
A polícia ainda tem informações de que o acusado atraía meninas oferecendo dinheiro para que comprassem doces. Na primeira denúncia, feita em setembro, a estudante revelou à família que o professor a teria agarrado após ouvi-la pedir que lhe desse dinheiro. "Ela pediu dinheiro para o professor para comprar doces. Segundo a menina, ele então a teria convidado para ir até uma sala de aula. Alí a agarrou por trás e passou as mãos em seus seios dizendo que iria lhe dar um MP3 e um chip para celular", disse Graciela.
O acusado não prestou depoimento. Segundo a delegada, o objetivo é ouvir todas as testemunhas e os dirigentes da unidade de ensino primeiro. Só depois o professor será intimado a prestar declarações. "Ainda estamos em fase de investigação, ouvindo as partes de acusações. A advogada dele (professor) disse que assim que precisar ela o apresentará na delegacia", explicou Ambrósio.
A reportagem tentou fazer contato com o professor em sua residência. No entanto, ninguém atendeu o telefone. Na escola, funcionários e alunos disseram que ele foi afastado logo após surgirem as acusações. O caso é acompanhado pela dirigente de ensino de Franca, Ivani Marchesi, e pelo Ministério Público (leia mais no apoio).
<b>NOTA DA REDAÇÃO:</b>
O Comércio sabe os nomes do professor e da escola na qual ele trabalha. Raramente este jornal decide por omitir informações de seus leitores, por considerar fundamental a liberdade de informação. Mas, excepcionalmente neste caso, por avaliar a situação como dramática e pelo fato da investigação ainda se encontrar em fase inicial, a Direção de Jornalismo optou por preservar os nomes.
Além do caso ser muito delicado e envolver crianças, o professor ainda não foi ouvido e a divulgação dos nomes pode causar situações irreversíveis a todos os envolvidos. A equipe do Comércio segue acompanhando de perto os desdobramentos desta denúncia.
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