Os moradores do Recanto Elimar moram próximos a uma extensa área verde. Sozinho, um dos lados tem aproximadamente dois quilômetros. A mata possui nascentes de água e abriga muitas espécies animais. É comum ouvir o canto das aves quando se passa às suas margens. Mas o que poderia ser um privilégio para quem vive na cidade se tornou um problema. A área tem sido usada por ladrões para esconder objetos roubados e por usuários de drogas, além de se tornar um depósito de lixo. É comum os vizinhos flagrarem pessoas despejando entulhos, embalagens e até alimentos ao redor da mata. Ontem havia até pneus e restos de comida no local.
A vendedora Carmen Calandria, 44, mora no bairro desde 1995 e disse que o espaço não pode mais ser usado como área de lazer por sua família. “Antigamente a gente podia circular lá dentro. Meus filhos brincavam na água. Agora é um entra e sai de maconheiro o dia todo. Já chamamos a polícia, mas é difícil combater isso. É uma diversão a menos que a gente tem no bairro”, disse.
A dona de casa Natalícia Mendes, 33, é outra vítima dos problemas registrados na mata. “Ela serve para esconder drogas e produtos roubados. Até sofá já encontraram no meio da mata. Os traficantes colocaram lá para consumir drogas”. Natalícia mora no Recanto Elimar há 13 anos. Tem casa própria, onde reside com o marido e quatro filhos, que têm entre 12 e 3 anos. “A polícia deveria passar mais, levar mais em conta bairros que têm matas porque são esquecidos.”.
Outra queixa dos vizinhos da área é em relação ao estado das nascentes. Segundo eles, anos atrás, tinham água limpa que podia até ser consumida. “A água que foi clarinha, hoje não tem mais condições nem de passarmos perto. Ela é suja porque cai esgoto nela”, disse Natalícia. A poluição não é percebida apenas nas minas, mas ao redor da mata com a deposição de lixos.
Além de flagrar ações de usuários de drogas e ladrões na mata em frente à sua casa, a manicure Renata Viana, 27, é obrigada a viver com outro problema que aumenta sua insegurança. Ela mora próxima à Rua Alírio Severo Nogueira, que é de terra e passa ao lado da mata. À noite, Renata só encontra segurança trancada dentro de sua casa. Existem 29 postes na via, mas a moradora alega que não ficam com as luzes acesas. “É tudo escuro. Os postes são só enfeites. Não tem como andar aqui de noite, fico com medo”.
O desejo dela é que o local seja cercado para evitar invasões. “Tinha de ser cercado, tudo organizado para não colocarem lixo nem as pessoas entrarem, roubarem e se alojarem aí”, disse Renata.
<B>RESPOSTA </B>
A Prefeitura promete cercar a mata com arame farpado até janeiro de 2010. Além disso, a área deve receber equipamentos de lazer como área de passeio e bancos.
A denúncia de poluição das nascentes será averiguada. Na terça-feira, o gerente da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo), Rui Engrácia, disse desconhecer o problema, mas prometeu enviar uma equipe até o Recanto Elimar para verificar a situação.
Contatada também na terça-feira, a assessoria de imprensa da CPFL disse que será feita uma inspeção na Rua Alírio Nogueira para verificar se há pendências nos postes de iluminação e se o local é responsabilidade da CPFL, porque pode ser uma área particular. O capitão Araújo, da Polícia Militar, afirmou que a partir desta semana o policiamento no Recanto Elimar e Aeroporto será reforçado.
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