Compra a prazo deixa 60% dos consumidores francanos ‘no vermelho’


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SAINDO DAS DÍVIDAS -  O advogado Alexandre Diniz tem dívidas com o financiamento de veículo e em lojas. Mas deve se livrar de uma delas em dezembro. “Finalmente vou quitar meu carro”
SAINDO DAS DÍVIDAS - O advogado Alexandre Diniz tem dívidas com o financiamento de veículo e em lojas. Mas deve se livrar de uma delas em dezembro. “Finalmente vou quitar meu carro”
Cheques pré-datados, carnês em lojas, empréstimos, faturas dos cartões de crédito, financiamento da casa, do carro... A lista de contas a pagar para a maioria dos consumidores francanos parece interminável. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência, elaborada pela Fecomércio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo) em parceria com o Uni-Facef, mostra que seis em cada dez consumidores da cidade estão endividados e, pelo menos, um em cada quatro já tem contas atrasadas e não pagas. O índice é maior que o da cidade de São Paulo, onde os endividados representam cinco em cada 10 consumidores. Para o economista e professor do Uni-Facef, Hélio Braga Filho, o índice preocupa. “Isso significa que boa parte das pessoas já não tem mais como comprar. O estudo não traz o grau de comprometimento do orçamento, mas é bem provável que muitos trabalhadores já estejam com seus salários completamente comprometidos. Para a economia, isso é muito sério”. Na pesquisa, foram entrevistados 800 consumidores com mais de 18 anos de diferentes classes sociais e regiões da cidade. A maior parte das dívidas que as pessoas declaram ter se refere a gastos com os cartões de crédito. Quase 60% dos entrevistados devem para as operadoras de cartão. Depois, aparecem os carnês em lojas e depois os financiamentos de veículos. O alto número de endividados, segundo o economista, tem ligação direta com as facilidades de crédito e com a crise financeira do final do ano passado. “Antes da crise americana, em setembro de 2008, as ofertas de crédito eram muitas e sem grandes exigências, o que fez com que muitos consumidores assumissem dívidas a médio e longo prazo. Com a crise, muitos perderam seus empregos e inevitavelmente tiveram que contrair empréstimos”. Outro problema apontado pelo professor é a falta de planejamento orçamentário do francano. “São poucas as pessoas que estudam como gastarão seus salários. A maioria contrai dívidas sem saber o peso que realmente terão em suas vidas”. A dona de casa Regina Maria Silva de Paula, 51, tem aproximadamente R$ 2 mil em dívidas. Como apenas seu marido trabalha, ela está com dificuldades para arcar com todos os compromissos. “Tenho passado roupa para fora para conseguir um dinheiro extra para pagar as contas, mas mesmo assim não está dando”. Em 2007, o advogado Alexandre César Lima Diniz, 44, conseguiu um financiamento para comprar um vectra usado em 36 parcelas. “Todo dinheiro extra que entra eu guardo para pagar o carro e vou terminar de pagá-lo em dezembro. Mas ainda tenho outros compromissos assumidos. Não tem jeito, todo mundo tem o costume de comprar no carnê ou no cartão, também faço isso. Se não for assim, não consigo adquirir os bens”. BOAS NOVAS A boa notícia trazida pelo estudo é que a tendência do consumidor é quitar seus débitos. Apenas 7,8% deles já afirmam não ter condições de honrar seus compromissos. “Esse comportamento é até natural. As pessoas querem pagar o que devem sempre no fim do ano para que possam continuar comprando no ano seguinte”, disse Hélio Braga. O presidente da Acif (Associação do Comércio e da Indústria de Franca), João Cheade, comemorou. “Isso indica que as pessoas que estão querendo comprar, ainda que à prestação”. Sobre o índice de endividamento, Cheade o considerou bom. “Os consumidores não estão inadimplentes e, se têm dívidas, é porque compraram e giraram a economia, o que é bom”. Colaboraram Patrícia Paim e Renata Modesto

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