Cumprindo determinação da Justiça, a empresa de ônibus São José liberou os passes gratuitos para os portadores de deficiência, mas decidiu acabar com o acordo informal que tinha com as entidades representativas. Pelo acordo, cada deficiente também ganhava a passagem de um acompanhante. Com o fim do benefício, os deficientes que não andam sozinhos continuam faltando ao tratamento e à escola. Desde segunda-feira, as entidades tentam convencer a direção da empresa a liberar novamente os passes para os acompanhantes. Até ontem os argumentos não haviam convencido. “Não existe meio termo com a São José. Deixaram claro que não vão liberar”, disse Vera Lúcia Alves, assistente social da Sociedade dos Cegos.
<b>Ouça a reportagem de Renata Modesto:</b>
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Cem alunos da Sociedade dos Cegos utilizam o transporte gratuito. Diego Cândido, 13, é um deles. O garoto depende da mãe para ir ao médico e às sessões de terapia. Ele tem o cartão permanente do passe de ônibus. Já a sua mãe, Maria Cândida, conseguia retirar 40 passes por mês. “Sempre faltava um pouco mas a gente conseguia completar e seguir o tratamento”, disse. Agora, a dona de casa não sabe o que fazer para arcar com as despesas da passagem. “Pagar a tarifa é muito complicado. Tem dia que a gente não tem dinheiro nem para o pão. Meu marido está desempregado e o serviço que faço em casa para ajudá-lo (de enfaxetar) tem faltado há mais de três semanas”, disse.
Os deficientes visuais não são os únicos a depender de alguém para acompanhá-los. Pelo menos 320 assistidos da Apae (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais) não conseguem ir sozinhos à escola ou às consultas médicas, odontológicas e às sessões de estimulação. Ontem, Michelle Barbosa de Oliveira, assistente social da Apae, fez uma lista dos nomes dos pacientes para encaminhar a São José. A expectativa é que a empresa atenda ao pedido e libere os passes. “No caso dos bebês, a situação é ainda mais complicada. Muitas mães não têm mesmo como pagar passagem. Vamos mandar a lista e ver se a gente consegue alguma coisa. Não podemos desistir”.
Procurado pelo Comércio, o diretor da empresa estava em reunião e não retornou ao recado deixado. O prefeito Sidnei Rocha (PSDB) também não atendeu a reportagem. O procurador jurídico da Prefeitura, Joviano Mendes, poderia falar sobre o caso, mas não foi localizado. Já o secretário de Ação Social, Roberto Nunes Rocha, não quis emitir opinião. Ele alegou que não tinha conhecimento do assunto tratado.
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