A lei da atração


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Não compreendo a razão. Só pode ser a tal lei da atração, porque não implico com ninguém. Aliás, sequer perco tempo com quem não me interessa. Mal tenho tempo de me coçar, vou lá
Não compreendo a razão. Só pode ser a tal lei da atração, porque não implico com ninguém. Aliás, sequer perco tempo com quem não me interessa. Mal tenho tempo de me coçar, vou lá
Sei lá o porquê, talvez seja algum fenômeno. É só estar bem quieto em meu canto, bem sossegado, para vir alguma criatura me amolar. É batata! Sempre atraio a implicância alheia. Deve ter alguma coisa a ver com o ar pacífico e tranquilo que dizem que tenho, algum despojamento que incomoda estas criaturas. Se antes eu desconfiava, agora tenho certeza. Duas pessoas muito próximas, num estranho tom de confissão, reconheceram terem observado este ‘fenômeno’. Um foi o Milton Luiz Coelho, dono do boteco que frequento. O outro, o amigo Braz Boiani, que considero um verdadeiro totem à lucidez, uma pessoa de rara luz. Não compreendo a razão. Só pode ser a tal lei da atração, porque não implico com ninguém. Aliás, sequer perco tempo com quem não me interessa. Mal tenho tempo de me coçar, vou lá ficar de implicância com neguinho? Se estou quietinho num barzinho que me é agradável, tomando uma cerveja, logo surge um intrometido: ‘Meu caro! Que surpresa! Lembra de mim? Não esperava encontrá-lo aqui’! Evidente que ninguém é obrigado a lembrar. Muitas vezes o tempo e a pouca convivência fazem a memória falhar mas, por delicadeza, você responde afirmativamente, mesmo tendo diante de si uma figura que lhe é totalmente desconhecida e que o trata com uma intimidade que é como se o conhecesse desde os tempos da mamadeira. O recém-chegado continua em sua efusão de alegria: ‘Como vai o Cabralzinho? Quantos filhos já tem?’. Você se sente encabulado de dizer que não conhece o Cabralzinho tanto quanto não conhece quem pergunta por ele. ‘E a Glorinha? Tens sabido dela?’. E antes que você responda o intrometido completa: ‘o Juca a deixou. Parece que ela lhe botou uns chifres... Sabe como é! Ele se chateou porque o pessoal da rua onde morava já estava zombando dele. Ela depois se jogou pra cima de mim e eu, que não sou besta, aproveitei. Nunca tinha conhecido mulher mais fogosa. Um verdadeiro furacão!’. Mas que diabo, aquele sujeito tão cordial e tão íntimo só lhe fala de pessoas que você não conhece. O intrometido vai pedindo bebida, espetando um pedaço do seu salaminho e jogando conversa fora. Transcorrida quase uma hora, o dito cujo bate com força na mesa, levanta-se, estende-lhe a mão e se despede: ‘Foi uma satisfação encontrá-lo depois de tantos anos. Ah! Ia me esquecendo. O Jorge morreu. Lembras-te dele? Cara bacana!’. Você lamenta pelo Jorge, aperta a mão do estranho e permanece em pé enquanto ele vai embora sem ter feito qualquer menção de pagar a conta e sem que você, encabulado, lhe perguntasse quem ele era depois de ser tratado como um irmão de sangue. Situações como essa não são tão raras como o leitor pode pensar. Sempre estou às voltas com bêbados pentelhos, a pior categoria de pessoas depois dos maledicentes e portadores de halitose. Nas redações onde passei ou mesmo em emissoras de rádio, então, nem se fala. Hoje em dia poderia até dar palestras de auto-ajuda intituladas ‘técnicas de imunização insuspeitas’. Mas, tudo bem, aprendi que uma boa dose de abstração é sempre um bálsamo de muitas utilidades. Ou então, como dizia o outro, ‘a luta continua’. <b>DOMINGO DAS CRIANÇAS</b> Infelizmente cresce a cada dia o número de meninos e meninas perambulando nas ruas de Franca. Estudiosos dos problemas relacionados a adolescentes e crianças carentes são praticamente unânimes na convicção de que não se deve dar dinheiro de esmola. Tem o caso das drogas, do crack principalmente, e da exploração por parte de adultos que acabam ficando com todo o dinheiro arrecadado. No entanto, nada impede que em lugar do ‘trocadim’ se ofereça pão, biscoito, um doce, seguido de palavras carinhosas. Ou até livros de histórias infantis para mimar essa meninada desamparada, incutindo neles o salutar hábito da leitura. Lembramos que domingo é o Dia das Crianças. <b>CIRCULA NA INTERNET</b> O homem é um ser tão dependente que até para ser corno precisa da ajuda da mulher. Pra ser viúvo também. <b>NEGATIVO</b> Em Franca não vejo nenhum órgão de vigilância sanitária, ou mesmo de saúde, fiscalizando os raizeiros espalhados em diversos pontos da cidade. Vendem ervas e raízes para tudo. De impotência a gripe suína um chazinho resolve a parada. Ou mata. <b>POSITIVO</b> Em Bogotá, capital da Colômbia, é obrigatório constar no capacete do motoqueiro o número da placa do veículo. Quem descumpre é apenado com multa equivalente a R$ 2 mil. A medida reduziu a quase zero o número de assaltos e assassinatos praticados por motoqueiros. Em Franca, assaltos dessa natureza ocorrem diariamente. Que tal copiarmos os colombianos? <b>NA ESCOLA</b> Todas as crianças haviam saído na fotografia e a professora estava tentando persuadi-los a comprar uma cópia da foto do grupo: ‘Imaginem que bonito será quando vocês forem grandes e todos comentarem que ali está a Catarina, que tornou-se advogada, ou então ‘este outro é o Miguel, que agora é médico’. Ouviu-se uma vozinha vinda do fundo da sala: ‘E ali está a professora. Já morreu”. <b>Edward de Souza</b> <i>Jornalista e radialista</i> edward@comerciodafranca.com.br

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