Briga entre alunos sempre existiu mas, de uns tempos para cá as desavenças cresceram assustadoramente no meio estudantil. Não são mais aqueles leves petelecos que um moleque dava em outro, por qualquer bobeira. As contendas agora viraram digladiação total, com escoriações generalizadas. Outro detalhe curioso é a emergente pancadaria entre as meninas.
Não faz muito tempo assim, alunas nem discutiam entre si. Comportavam-se de maneira totalmente diferenciada. Tinham letra bonita. Apresentavam bom rendimento escolar. Atualmente algumas delas são muito displicentes, desbocadas e na maioria das vezes brigonas também. Menina bate em menina e até sai no tapa contra menino. Se não bastasse isso há mães que incentivam as próprias filhas a bater nas colegas.
As refregas não acontecem somente nas escolas públicas ou particulares de ensino fundamental. Ultimamente existe agressão escolar em todos os níveis. Estudantes adolescentes ou mesmo adultos andam distribuindo tapas, socos, pontapés, puxões de cabelo, mordidas, capacetadas (o capacete agora virou arma, tornou-se uma espécie de soco-inglês) e até facadas em plena sala de aula. A rua – ou o pátio – deixou de ser o ringue ideal.
O fator principiante das brigas escolares pode estar no ensurdecedor barulho produzido dentro da sala de aula e, mais forte ainda, no pátio. Desde a pré-escola até a universidade os alunos falam na maior altura. Dizendo melhor, gritam, para não dizer que berram. Além de ser antipedagógico esse zunzum acaba criando predisposição para a violência estudantil.
Dia desses um aluno da primeira série do ensino fundamental não queria ir para a escola. Depois de muita conversa a mãe detectou que a aversão da criança pela aula estava no fato de a sala ser muito barulhenta. O garotinho disse que ninguém falava na escola. Somente gritava e brigava. Nas palavras dele, o recreio era um inferno.
Muito provavelmente um dos entraves da educação escolar atual esteja no excesso de barulho. Falar todo mundo ao mesmo tempo sem nenhum nexo de diálogo tornou-se prática comum nas escolas. Se, numa série inicial de estudo, a professora não consegue silêncio da turma em plena sala de aula, então, que aprendizagem sairá daí até o final da seriação educacional?
Para comprovar o tamanho do barulho existente nas escolas pare por alguns minutos nas proximidades de um estabelecimento de ensino. Em alguns casos, tem-se a impressão de se estar perto de um estádio de futebol em dia de decisão. Ninguém consegue separar auditivamente se o momento é de aula ou se os alunos estão a todo vapor em horário de recreio.
Ambiente de estudo requer silêncio. O professor que não consegue pelo menos impor disciplina na sala de aula está fadado ao fracasso. No meio de tanto burburinho o ato de ensinar ou de aprender se torna nulo. Além disso, a balbúrdia total em que se transforma o espaço educacional propicia agressões verbais e físicas entre os alunos. E até destes para com os professores.
Antônio Araújo
Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br
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