Estou colaborando numa empresa de Nova Serrana na criação de um tênis feminino que esteja super-super-confortável dentro de tudo o que a mais avançada tecnologia permite. No meio dos estudos surgiu uma pergunta incontornável: e a eletricidade estática?
No Brasil, graças ao clima na maior parte do ano excessivamente úmido grande parte da população desconhece o problema que o acúmulo de eletricidade estática pode causar. Nos países do hemisfério norte do nosso planeta as pessoas apreendem muito rápido a tocar primeiro na parede para depois apertar o boto metálico da chamada do elevador para não levar um choque, às vezes bem violento.
Na década de noventa acompanhei em viagem para a Finlândia, bem no meio do inverno nórdico, o filho de um dos donos do então curtume Bender-Schuck, Athos Schuck. Athos era uma verdadeira pilha ambulante. Quando chegava perto de mim usando pesado casaco de lã, uma faísca passava chiando entre nós. Por que isso acontecia? O ar no inverno, geralmente, não tem mais de 15% de umidade relativa, ou seja, está extremamente seco. Usando calçado com sola sintética ou de borracha, a eletricidade estática gerada pelo atrito de roupas de fibras de algodão, de lã ou de polímeros não tem por onde ser descarregada, a não ser com um contato com terra, que o calçado com estes tipos de sola isola.
Esta é a explicação dos choques no contato com superfícies metálicas, ou da passagem da eletricidade de um campo sobrecarregado para outro menos carregado. A faísca, em nosso caso e literalmente, passava entre eu e Athos.
Imaginemos agora um corredor ou uma corredora usando roupa de nylon, correndo 20 minutos ou meia hora, sem tocar em nenhuma superfície, com solado de materiais sintéticos ou de borracha que não permitem descargas naturais para a terra. Esta eletricidade ficará acumulada sobre o corpo, sobre a roupa, até o momento da possível descarga.
Até que ponto o acúmulo de eletricidade estática pode prejudicar o funcionamento de nosso sistema nervoso, de ritmo cardíaco, de equilíbrio interno e o funcionamento das células do corpo? Esta seria uma bela tese a ser defendida num trabalho de doutorando. Respostas a estas perguntas teriam influência muito grande para a saúde e para a técnica de construção de calçados.
Para a tecnologia de construção de calçado não haveria nenhum problema. Quanto a calçados de segurança, há dezenas de anos trabalha-se com calçados condutivos, aqueles usados por trabalhadores nas linhas de transmissão de alta voltagem, que têm carga eletromagnética muito intensa. O problema está nos restantes calçados. Até hoje não se verificou nada sobre usuários de calçados ditos esportivos para caminhantes e corredores, sempre tão ciosos de cuidados com o corpo.
Quem sabe, com pesquisas na área, consigamos dar mais um passo rumo à perfeição?
GDS E GLOBAL SHOES
Os organizadores das Feiras GDS e Global Shoes em Düsseldorf, Alemanha, realizadas no período de 11 a 13 de setembro, declararam-se ‘moderadamente otimistas’ na mensagem sobre o resultado das feiras. Os eventos foram visitadas por cerca de 28,5 mil compradores de 82 países. A diretora das Feiras, Kirstin Deutelmoser declarou-se muito satisfeita. ‘Nos tempos incertos que estamos atravessando as feiras continuaram demonstrando utilidade. A mistura dos estilos de vida, de opiniões e a extensão de informação que as feiras ofereceram foram muito positivas para que o comércio varejista obtivesse orientação para os passos a dar. As marcas fortes e de qualidade apostaram novamente na GDS. Ao mesmo tempo, marcas novas ficaram conhecidas pelo grande público’. Confirmando esta opinião, Ralph Rieker, presidente da associação alemã das indústrias de calçados resumiu: ‘As nuvens negras da crise econômica estão começando a clarear. A indústria de calçados ainda está aqui. Agradeçamos aos compradores, que estão aqui também. E, contrário à antecipação, as pequenas e médias lojas foram as que colocaram os pedidos. É um bom sinal. A GDS conseguiu alcançar e até ultrapassar a expectativa da maioria dos exibidores nestes tempos incertos e, deste modo, consolidou sua posição no comércio internacional de calçados’. As próximas GDS e Global Shoes serão em Düsseldorf nos dias de 12 a 14 março de 2010.
A CRISE NA ITÁLIA
A estatística publicada pela ANCI durante a feira MICAM, em Milão (18 de setembro) revelou a extensão do impacto da crise global sobre a indústria de calçados italiana. Durante os primeiros seis meses de 2009, 379 empresas do ramo de calçados ou componentes de couro deixaram de funcionar. Os números provêm da Infocamere, a organização principal da Câmara Italiana do Comércio. Conforme a ANCI, “na realidade estes números podem ser ainda maiores porque a Infocamere leva algum tempo para compilar as estatísticas”. Diretamente, levando em conta só fábricas, 143 fábricas fecharam as portas. Perderam-se 1.839 empregos.
Zdenek Pracuch
Sapateiro, shoemaker – pracuch@comerciodafranca.com.br
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