Foi encontrado na tarde de sábado o corpo do sitiante Eduardo Donizete Pereira, 38. Ele foi visto por dois pescadores no Rio Santa Bárbara, por volta das 16 horas, nas proximidades de uma estrada vicinal que liga Patrocínio Paulista a São Tomás de Aquino (MG).
“A gente estava aqui pescando, estávamos eu e meu cunhado. Chegamos aqui e descemos um pouco, e eu fui um pouco mais pra baixo. De cima do barranco já avistei. Na hora fiquei assustado e fui procurar a polícia”, disse José Marcelo Guiraldelli, curtumeiro de 27 anos que foi o primeiro a ver Eduardo.
Equipes da Polícia Científica e Militar chegaram ao local por volta das 17 horas, quando o corpo foi retirado do rio, inchado e em fase de decomposição. Notou-se que a língua da vítima estava para fora da boca. A face, deformada, dificultou o trabalho de identificação. Dois sacos com terra e pedra amarrados com cordas foram encontrados nas proximidades, as quais supostamente teriam se soltado do corpo de Eduardo - o que reforça as evidências de um possível homicídio. “Pela característica do corpo, o óbito aconteceu há quatro ou cinco dias”, disse Luciano Tavares Batista, agente policial da DIG.
Em seguida o corpo foi apresentado na Delegacia de Polícia de Patrocínio Paulista e encaminhado para o Instituto Médico Legal em Franca. Por volta das 20h30, no IML, a mulher de Eduardo, Aparecida dos Santos Pereira, grávida de oito meses, identificou o marido. Até então as suspeitas eram altas sobretudo porque as roupas usadas por Eduardo, segundo descrição prévia feita por Aparecida, batiam com as encontradas na vítima: calça jeans, cinto e camiseta azul escura.
DESAPARECIMENTO
O sitiante Eduardo Donizete, que morava em Patrocínio Paulista, tinha desaparecido há uma semana, sem ter feito contato algum com a mulher e com o casal de filhos. A polícia chegou a fazer buscas por três dias seguidos, sem êxito.
Eduardo tinha sido visto pela última vez na tarde de segunda-feira, quando saiu de casa para receber uma dívida de R$ 20 mil referente à venda de 12 cabeças de gado e de um resfriador de leite. Antes, passou em um supermercado e comprou um aparelho de barbear, cerveja e preservativos.
No começo da noite de terça-feira, 24 horas depois de o sitiante ter recebido o dinheiro, o carro dele, um Fiat Palio, foi encontrado perto de um motel às margens da Rodovia Fábio Talarico, entre Franca e São José da Bela Vista, onde há várias chácaras de prostituição. O interior do veículo estava revirado e os documentos pessoais de Eduardo, assim como o aparelho de barba e o pacote de preservativos comprados anteriormente, estavam no painel. Não havia marcas de sangue ou sinais de luta. “Tão logo ele saiu de casa, liguei para avisar que ele havia esquecido o aparelho de fazer barba. A ligação caiu e eu não consegui mais contato. Ele pretendia depositar o dinheiro que iria receber. É um mistério. A gente não sabe onde ele foi parar”, disse Aparecida dos Santos Pereira, mulher do sitiante.
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O casal estava junto há 13 anos e tem dois filhos. Eduardo arrendava um sítio na zona rural de Patrocínio Paulista. Há três meses, a mulher foi morar com as crianças em uma casa próxima ao ginásio de esportes Diamantão. Encontravam-se com frequência, principalmente nos fins de semana. Aparecida está grávida de oito meses e afirmou que o marido não é o pai da criança. “Não teria motivos para ele ir embora sem me avisar. A menina que estou esperando não é dele, mas ele aceitava numa boa e não comentava. Não tinha briga”. Responsável pelas investigações, o delegado Márcio Murari não acredita que a gravidez fora do casamento possa ter relação com o sumiço do sitiante. “Não vejo ligação entre os fatos. Parece-me que ele havia perdoado a mulher e que viviam bem”. A principal linha de investigação aponta para um suposto roubo seguido de morte.
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