Operação Quilate: pacote de acusações do MPF envolve 25 pessoas e 9 crimes diferentes


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O Ministério Público Federal cumpriu mais uma etapa da Operação Quilate, na terça-feira, e denunciou 25 pessoas acusadas de integrar uma quadrilha internacional voltada para o comércio ilícito de diamantes e para a realização de operações de câmbio não autorizadas. A medida significou o começo da ação penal. Caso o juiz aceite a denúncia, os investigados vão se tornar réus e estarão sujeitos a penas que podem chegar a 51 anos de cadeia. Como houve denúncia por crimes contra o sistema financeiro e de lavagem de dinheiro, o processo tramitará em uma vara especial da Justiça Federal em São Paulo. A denúncia contém 160 páginas e revela detalhes das negociações feitas pela quadrilha. As investigações se deram basicamente por meio de interceptações telefônicas que tentam comprovar que Franca concentrava os principais integrantes da organização criminosa, que possuía ramificações em São José do Rio Preto, Frutal, Uberlândia e São Paulo. Os diamantes lapidados na cidade eram adquiridos em garimpos ilegais e repassadas aos líderes do grupo, que se encarregavam de vendê-las no mercado interno e no exterior. Os policiais alegam que duas pessoas auxiliavam nas operações financeiras ilegais em dólares. As negociações impediriam o controle da movimentação. O pacote de denúncias feito pela procuradora da República em Franca, Daniela Poppi, contempla nove acusações diferentes. O Comércio da Franca teve acesso às imputações individuais dos 25 investigados. Por elas, é possível constatar que a situação de Jorge Khabbaz é a mais complicada. Segundo o apurado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, Khabbaz seria o principal nome da organização. Fazia negócios com quase todos os integrantes identificados e mantinha uma rede de mais de 20 funcionários. Escutas revelaram que ele levava pedras de maneira clandestina para o exterior. O comerciante, que continua preso em São Paulo, foi denunciado pelos crimes de receptação qualificada, descaminho agravado por haver transporte aéreo, guarda de moeda falsa, formação de quadrilha, transação não autorizada de câmbio, operação de câmbio com fim de evadir divisas do País e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas máximas podem chegar a 51 anos. A mulher, o filho e a mãe do acusado também foram denunciados. O escritório de advocacia que defende Khabbaz, sediado em São Paulo, foi informado do teor da denúncia, mas não retornou às ligações como havia prometido. O lapidário José Roberto foi incurso apenas em receptação simples. No dia da operação, os policiais apreenderam algumas pedras de diamante em sua oficina. Ele ficou preso por três dias. Seu advogado, Luiz Carlos Bento, disse que o cliente não sabia que a atividade era ilegal e que provará sua inocência. Se condenado, poderá pegar uma pena máxima de quatro anos. A denúncia feita pela procuradora não se restringiu apenas às pessoas que tinham envolvimento direto com diamantes e também atingiu a empresária Cidinha Vieira e o comerciante Miguel Jorge Bittar. Ambos são acusados de transação não autorizada de câmbio e operação de câmbio com o fim de evadir divisas do País. Cidinha ainda responderá por formação de quadrilha. “Estas pessoas não tinham autorização do Banco Central para fazer estas operações financeiras e davam suporte à quadrilha neste sentido”, afirmou Daniela Poppi. Os advogados de Cidinha e Bittar não foram encontrados para comentar a denúncia.

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