Quatro integrantes de uma mesma família, quatro negociadores de diamantes e dois doleiros formam a relação das dez pessoas de Franca que foram denunciadas à Justiça pelo Ministério Público Federal. Ao todo, a acusação pediu a condenação de 25 envolvidos no comércio ilícito de pedras preciosas e na realização de operações de câmbio não autorizadas.
Junto com a denúncia, a procuradora da República em Franca, Daniela Poppi, pediu a prisão preventiva de mais duas pessoas por ligação com a organização criminosa baseada na cidade. “Obviamente, não posso dizer os nomes para que não fujam, mas a prisão foi pedida, sim”, disse a procuradora.
Pela primeira vez desde que a Operação Quilate foi deflagrada pela Polícia Federal, no dia 12 de agosto, as autoridades responsáveis pelas investigações divulgaram oficialmente o nome de todos os envolvidos acusados de ter participação no esquema.
Das 25 pessoas denunciadas à Justiça, a acusação afirma que dez atuavam em Franca: Jorge Khabbaz; a mulher dele, Rejane Aparecida Coelho Teixeira Khabbaz; o filho, William Khabbaz Neto; e a mãe, Nadima Accari Khabbaz. Também fazem parte da relação os comerciantes Isalto Donizete Pereira, Mozair Ferreira Molina e André Luís Cintra Alves, o lapidário José Roberto de Assis e os doleiros Maria Aparecida Vieira e Miguel Jorge Bittar, os quais, segundo a acusação, não tinham autorização do Banco Central para realizar as transações em dólar. “A investigação foi concluída e a divulgação dos nomes não representa nenhum prejuízo. A maior parte das apurações se deu por meio de interceptações telefônicas e, se fizéssemos a divulgação antes, poderia atrapalhar. Neste momento, a divulgação apenas dá ciência à população daquilo que aconteceu e dos envolvidos”, afirmou a procuradora.
<b>Ouça abaixo a procuradora Daniela Poppi:</b>
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Daniela Poppi pediu à Justiça que seja mantida a prisão preventiva dos comerciantes que permanecem recolhidos. Em princípio, os demais investigados vão responder às acusações em liberdade, mas a situação pode se inverter a qualquer momento. “Pode acontecer de haver prisão, tanto é que foi pedida essa prisão de algumas pessoas que estão em liberdade”.
As investigações da Polícia Federal e do Ministério Público atingiram em cheio quatro membros da família Khabbaz. Rejane foi presa durante a operação e ficou três dias na cadeia. O filho William chegou a ser detido no dia e liberado logo em seguida. Jorge, o marido, escapou por acaso devido uma viagem, mas foi descoberto pelos policiais uma semana depois em São Paulo. O envolvimento da mãe dele só veio à tona agora.
Todos foram denunciados à Justiça e responderão por crimes diversos. “Muito embora o Ministério Público entenda que há requisitos para oferecer a denúncia, o juiz vai analisar caso a caso e decidir se recebe a denúncia ou não. Só a partir da aceitação é que ficará caracterizada a situação de réu. Por enquanto, são apenas investigados. Temos de aguardar a decisão”, disse João Carlos de Souza Freitas Júnior, advogado de Rejane.
<b>O OUTRO LADO</b>
No começo da noite de ontem, a reportagem ligou para todos os advogados dos investigados denunciados e que se encontram presos. Além do advogado da família Khabbaz, apenas Luiz Carlos Bento, que defende o lapidário José Roberto de Assis, foi encontrado. “Ainda não tenho conhecimento da denúncia. Meu cliente é trabalhador e não tinha nem ideia de que a atividade era ilegal. Vamos comprovar sua inocência”. Ligações também foram feitas, em vão, para os telefones fixo e celular de Maria Aparecida Vieira. Também não foi possível localizar Miguel Jorge Bittar.
A Operação Quilate se deu no dia 12 de agosto em Franca. Na ocasião, policiais federais de Ribeirão Preto prendeu sete pessoas. Cinco ainda estão presos. Os policiais cumpriram mandados de busca e apreensão em escritórios de comerciantes de pedras preciosas, factorings e imóveis de doleiros e agiotas. Foram apreendidos carros, computadores e do-cumentos, que teriam comprovado o envolvimento dos acusados nas atividades ilegais.
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