Um problema que se arrasta há anos em plena Avenida Adhemar de Barros poderá ser solucionado nos próximos dias. Após sofrer ameaça dos moradores de rua que ocuparam um campo de malha no Jardim Centenário, o secretário de Ação Social, Roberto Nunes Rocha, decidiu tomar medidas mais duras. O secretário promete acionar a Polícia Militar para, em parceria com a equipe do Abrigo Provisório e da Guarda Municipal, desocupar a área de lazer. “Precisamos agendar com a PM para irmos até lá. Moradores de rua ou bandidos ali não podem ficar. Eles se apossaram de um espaço público. A população tem medo de passar pela praça. Vamos retirar o que está impedindo as pessoas de usufruírem do espaço. Eles poderão ir para o Abrigo Provisório se não tiverem onde ficar”, disse.
Roberto Nunes Rocha disse que, através do programa Busca Ativa, houve várias tentativas para fazê-los deixar o campo de malha, mas não foram bem sucedidas. “Estive lá e não fui bem recebido. Eles estavam muito nervosos. Eles são muito agressivos, vivem bêbados, às vezes até drogados. São diferentes dos moradores de rua, que normalmente são pacíficos”.
Durante o dia, eles deixam apenas seus pertences e saem para pedir dinheiro. À noite, ficam em grupo de 15, 20 pessoas, inclusive mulheres. Segundo moradores e comerciantes, é comum serem flagrados tomando pinga e consumindo drogas. Além de usarem o espaço para dormir, cozinhar e também como sanitário. Ontem à tarde, o Comércio encontrou colchões, cobertores, sapatos e um fogão montado com tijolos no chão.
A comunidade se sente ameaçada com a presença dos moradores de rua na praça. Comerciantes se queixam de prejuízos causados pelos roubos que praticam em seus estabelecimentos e com a presença deles, que inibe alguns clientes de se aproximarem.
Um dos comerciantes da avenida, que pediu para não ser identificado, disse que trabalha no bairro há seis anos e, desde então, o campo de malha é ocupado por mendigos. “Faz muito tempo que estão aí, mas agora a situação está mais grave. Antes eram feitos campeonatos de malha todo fim de semana, mas agora os jogadores sumiram porque eles tomaram conta do espaço”. Ele tem vontade de resolver o problema, mas tem medo de represálias. “Se eu arrumar confusão, posso ser alvo de vingança. Eles são perigosos. Parece que ninguém consegue tirá-los daí”.
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Outro comerciante do bairro, que também falou sob condição de anonimato, está cansado de enfrentar o cheiro de urina e fezes no local e ser alvo de roubos. “Em pouco mais de um ano, já entraram no meu comércio seis vezes para roubar ferro e alumínio para vender depois. Foram eles. Testemunhas do bairro viram eles roubando aqui e voltando para o campo de malha”.
Os problemas vivenciados no Jardim Centenário já foram alvo de duas reportagens do Comércio. De janeiro a agosto deste ano, o programa Busca Ativa cadastrou 219 moradores de rua na cidade.
<i>Colaborou Marcos Silva</i>
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