Olhos da alma


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<b>SUPERAÇÃO</b> - As bailarinas deficientes visuais da Associação de Balé e Artes para Cegos Fernanda Bianchini provam que é possível romper as barreiras e o preconceito
<b>SUPERAÇÃO</b> - As bailarinas deficientes visuais da Associação de Balé e Artes para Cegos Fernanda Bianchini provam que é possível romper as barreiras e o preconceito
"O que os olhos não vêem, o coração e o corpo sentem". E são capazes de transmitir estas sensações por meio da arte da dança. Exemplos de superação, os bailarinos da Associação de Balé e Artes para Cegos Fernanda Bianchini, de São Paulo, provam que é possível romper as barreiras e os preconceitos. O grupo apresenta hoje, às 20 horas, no Teatro Municipal de Franca, o espetáculo Quebra-Nozes, sem dúvida, acompanhado de muita emoção. Os convites custam R$ 20 (preço único) e toda a renda será revertida para a Sociedade Francana de Instrução e Trabalho para Cegos. O evento tem o apoio da Vivo. O Quebra-Nozes é um dos três balés que Tchaikovsky compôs. Conta a história de Clara, que em uma noite de Natal recebe como presente um quebra-nozes com aparência humana. Encantada, começa a dançar com o brinquedo até adormecer. Ela sonha que está em outro mundo, onde o boneco é um príncipe. Ao acordar, Clara promete nunca esquecer o sonho. A Associação de Balé e Artes para Cegos Fernanda Bianchini existe há 14 anos. Este trabalho, assim como seu método, é pioneiro no mundo e foi desenvolvido por iniciativa da bailarina e fisioterapeuta Fernanda Coneglian Bianchini. Na sede, em São Paulo, deficientes visuais de todas as idades podem cursar gratuitamente aulas de balé clássico, sapateado, dança de salão, dança do ventre, cursos de violão e teatro. Pela experiência, Fernanda afirma que o balé melhora a postura, o equilíbrio, a noção espacial e corporal e a auto-estima do deficiente visual, além de possibilitar o rompimento de barreiras e preconceitos. "O trabalho que fazemos é por amor. Amor que é impossível transcrever em palavras. O que estas alunas querem mostrar é que o corpo não é apenas um conjunto de ossos, músculos e articulações que realizam movimentos diversos e sim que, através dele, é possível expressar os sentimentos do interior de cada ser humano, o seu próprio eu", comenta Fernanda, ressaltando que nada é impossível quando se tem força de vontade, objetivos e principalmente quando se acredita num sonho. No currículo do grupo há inúmeras histórias de sucesso. Foi depois de assistir a uma apresentação no Teatro Municipal de São Paulo, que a novelista Glória Perez se inspirou nas cenas do balé retratada na novela global América (2005). Um dos motes da trama era a inclusão dos deficientes visuais e a personagem Flor, vivida por Bruna Marchesini, usou uma palmeira para aprender a dançar. Segundo Vera Lúcia Alves Taveira, assistente social da Sociedade Francana de Instrução e Trabalho para Cegos, toda a renda do espetáculo será revertida para a entidade, para a manutenção dos projetos. "A doação nos ajudará a continuar desenvolvendo o trabalho com os deficientes visuais, que dispõe de atendimento terapêutico e de reabilitação, educacional, cultural e de socialização", afirma. "Oferecemos atendimento de fisioterapia (orientação e mobilidade), terapia ocupacional, serviço social, psicologia, artes e cultura (projeto `Cheiro da Cor`), professores de braille e português (projeto `Resgate à leitura e retorno à escola`), esportes (natação, atletismo, goalball - jogo específico ao deficiente visual), música e informática (projeto de inclusão digital)", completa Vera Lúcia. <b>SERVIÇOS</b> O que: Espetáculo Quebra-Nozes, da Associação de Balé e Artes para Cegos Fernanda Bianchini Quando: hoje, às 20 horas Onde: Teatro Municipal de Franca Quanto: R$ 20 (preço único) Informações: Sociedade Francana de Instrução e Trabalho para Cegos (R. Santa Catarina, 802 - Vila Aparecida) - 3725-9212 / Teatro Municipal, a partir das 16 horas <b>FESTIVAL DE DANÇA</b> A Cia. de Dança de Rua Pela Vida, de Taquaritinga, foi a grande vencedora da 10ª edição do Festival de Dança de Franca e levou o prêmio de R$ 300, com a coreografia de street dance Das Ruas para o Palco. A melhor performance em homenagem ao cantor Michael Jackson ficou para o Grupo Os Incríveis, de Passos (MG). A coreografia da música Billy Jean faturou o prêmio de R$ 200. Carla Pacheco, uma das organizadoras do evento, faz uma avaliação positiva desta edição. "Conseguimos atingir a proposta inicial: elevar a qualidade dos trabalhos. As apresentações melhoraram consideravelmente", disse. A professora já começa a pensar no próximo Festival. "O público lotou o Teatro Municipal nos quatro dias de espetáculos. Para 2010 estou à procura de novos parceiros para estender o evento a mais pessoas e grupos", afirma.

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