‘O Tiro ajuda a formar cidadãos’


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A previsão constitucional que assegura a continuidade e o funcionamento permanente do Serviço Militar Obrigatório dá ao Exército Brasileiro todos os argumentos que ele precisa para mantê-lo, mesmo que fora das organizações profissionais os custos para essa manutenção recaiam sobre as administrações municipais. O serviço prestado nas brigadas, batalhões e companhias do Exército espalhadas pelo País apresenta diferenças sensíveis em relação à instrução ministrada nos tiros de guerra, primeiro pelo fato de que aqueles são remunerados, enquanto que estes são voluntários. Conceitualmente, os dois serviços também correm em direções opostas, mas vinculados à mesma doutrina de defesa territorial. No caso de uma mobilização de tropas, até mesmo para emprego em missões de paz, como a patrocinada pelo Brasil no Haiti, serão os soldados daquelas primeiras unidades que serão destacados. Assim, ao entrar em um Tiro de Guerra, não existirão jipes, caminhões, metralhadoras pesadas e nem mesmo o entra-e-sai costumeiro de oficiais de alta patente. Toda a estrutura é mantida pelas prefeituras. Mas seriam os TGs essenciais sob o ponto de vista estritamente militar? O delegado da Junta Militar de Franca, responsável por quatro tiros de guerra (Ituverava, São Joaquim da Barra, Igarapava e Franca), tenente Francisco Cruz, acredita que não. “Militarmente, pode até ter sua importância discutida, mas socialmente nunca poderá ser questionado. Como não temos um País uniforme, há regiões no Brasil em que o Exército é a única opção de trabalho e renda para as populações. Mesmo para nós, no Estado de São Paulo, o serviço é relevante na formação moral e social do jovem”. Para o oficial, imitar a iniciativa ocorrida da Argentina, que profissionalizou suas forças armadas, extinguindo o serviço militar obrigatório, seria algo impensável. De acordo com ele, as forças regulares, sem o contingente do SMO, seriam insuficientes para atender as demandas, como, entre outras, os temporais que atingiram Santa Catarina no começo do ano. Com isso, os gastos para manter um exército profissional com quantidade suficiente de homens gerariam um ônus muito grande para o governo. Questionado sobre o sexismo que existe no alistamento, que não aceita mulheres, Cruz disse que, mais cedo ou mais tarde, o Exército terá que resolver essa situação. Nos quadros regulares, as mulheres já são aceitas, menos para unidades de combate. Ao final da conversa, o tenente Cruz voltou a defender a existências dos tiros de guerra. “O Exército segue as determinações de seu comandante, que é o presidente da República. Se um dia o presidente decidir que vai acabar com os TGs, muito bem, mas saia por aí dizendo que o tiro de guerra de Franca vai ser fechado para ver o que acontece”, disse o tenente. “É um período importante, no qual o jovem se forma como cidadão, como homem. Ao final dele, tenho certeza deque serão pessoas melhores”.

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