Nos oito primeiros meses deste ano, o Conselho Tutelar de Franca registrou 87 casos de menores envolvidos com o alcoolismo. O mês de agosto, o último a ter os dados inseridos na estatística, foi justamente o que teve maior número de ocorrências: 21. Em todo o ano passado, 154 adolescentes passaram pelo órgão por causa de bebidas. Preocupado com os elevados índices, o grupo Coalizão Comunitária lançará um projeto piloto, hoje, a ser desenvolvido com moradores do Jardim Paulistano II, bairro situado na zona leste. A intenção é inibir e reduzir o consumo de bebidas alcoólicas entre crianças e adolescentes daquela região, que foi escolhida aleatoriamente para abrigar a experiência. Futuramente, a ação será desenvolvida em todas as regiões da cidade.
O grupo Coalizão é um programa lançado nos Estados Unidos e baseia-se no engajamento de diversos grupos e setores da sociedade para combater o uso de drogas e de bebidas alcoólicas em determinada região. Segundo relatório da Universidade de Michigan, nos últimos 7 anos houve uma redução de 24% no uso de drogas ilícitas entre jovens que viviam em comunidades onde havia coalizões. No Brasil, o projeto piloto acontece em dez cidades e é desenvolvido em parceria com a ONG Amor Exigente. Franca é um dos municípios escolhidos.
Além da Amor Exigente, a coalizão é formada pelo Ministério Público, por comunidades terapêuticas, pela Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes), pelo AA (Alcoólicos Anônimos), pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e pela DeMolay (organização apoiada pela maçonaria).
Nesta quarta-feira, o grupo vai realizar uma reunião com representantes de escolas, igrejas, centro comunitário, Unidade Básica de Saúde e do Cras (Centro de Referência em Assistência Social) do Jardim Paulistano II. O encontro está marcado para as 18 horas no Salão do Tribunal do Júri do Fórum. A ideia é conscientizar as pessoas para os malefícios que o consumo de bebidas alcoólicas traz para a criança e para o adolescente. “Num primeiro momento, vamos chamar representantes da comunidade e angariar a simpatia deles. Depois, faremos audiências públicas e palestras com médicos. Na terceira etapa, vamos chamar os comerciantes do bairro para controlar a venda de bebida alcoólica”, disse o promotor da Vara da Infância e da Juventude, Augusto Soares Arruda Neto.
No dia 11 de setembro, quatro estudantes com idades entre 14 e 16 anos, que haviam matado aula para comemorar o dia do estudante, foram surpreendidos pela polícia bebendo na Praça Nossa Senhora da Conceição. Uma garota de 14 anos foi levada para a Santa Casa em alto grau de embriaguez. “A situação é muito preocupante. O álcool é a porta de entrada. Muitas vezes, o adolescente começa a beber, depois avança para a maconha e entra numa situação completamente sem controle. Não podemos mais ser coniventes com isto. Temos é que informar e mostrar e que a bebida é altamente prejudicial”, disse o promotor.
O conselheiro tutelar, Lucas Verzola, disse que as ocorrências de menores envolvidos com o consumo de bebidas alcoólicas aumentou a partir de junho, quando o Conselho Tutela, o Ministério Público e a polícia passaram a deflagrar uma fiscalização mais rigorosa para coibir a venda para adolescentes em boates, shows e locais de evento em geral. “Temos visto que o problema tem se agravado a cada dia. Os menores perdem os limites e os pais não conseguem controlar. Lidamos com este tipo de caso quase que diariamente”.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.