Festas, estudos e só alegria. Para muitos jovens a rotina é bem diferente. Isto em razão da necessidade de ajudar em casa. Desde cedo trabalham e muitas vezes são obrigados a adiar sonhos, planos e baladas. Mas há compensações. Desde os 16 anos, Maxwel Sousa Morais concilia uma rotina de estudos, lazer e trabalho. O adolescente mora com a avó e um irmão de 19 anos e decidiu começar a trabalhar para ajudar no sustento da casa.
Depois de atuar como preparador de couro numa fábrica de sapatos, conseguiu emprego em um supermercado. A avó trabalhava como empregada doméstica até cerca de cinco meses atrás. O irmão estava desempregado, mas arranjou serviço como chapa. Maxwel ganha R$ 350 por mês. Com o dinheiro, ajuda a pagar as contas de água (R$ 25) e energia elétrica (R$ 40). Como Maxwel, muitos jovens arcam com responsabilidades de adultos.
Maxwel, 17, estuda no segundo ano do ensino médio na Escola ‘Carmen Munhoz’, no período da manhã. Entra no emprego às 16 horas e fica até 21h30. Do intervalo entre o almoço e a hora de entrar no serviço, gosta de jogar videogame. Um dos jogos preferido é futebol. Maxwel gosta de ser o atacante Drogba, do time inglês Chelsea. ‘Meu sonho é ser jogador de futebol’.
Enquanto não realiza o desejo de conquistar espaço no mundo esportivo, faz planos de continuar no supermercado em que trabalha, mas num cargo melhor. Hoje ele é empacotador e trabalha aos finais de semana e folga às segundas-feiras. Maxwel sente orgulho de ter certa independência financeira. ‘Não gosto de ficar pedindo dinheiro para minha avó’.
Exemplos não faltam. Rodrigo Silva Bomfim, 15, começou a enfrentar as responsabilidades de um emprego com idade inferior a de Maxwel. Seguiu o exemplo dos dois irmãos mais velhos (de 17 e 21 anos) e aos 14 anos conseguiu uma vaga como empacotador num varejão da cidade. Com um ano de casa, Rodrigo diz que já colhe os frutos de sua escolha. ‘Tenho meu próprio dinheiro’, disse.
Os gastos da família são divididos. Dos R$ 470 que recebe, Rodrigo costuma dar R$ 300 para ajudar nas despesas da casa. O pai é pespontador e a mãe coladeira de peças. Só com aluguel, gastam R$ 300 por mês. ‘Cada um dá um pouco’. Rodrigo é aluno da Escola ‘Capitão José Pinheiro de Lacerda’. Estuda das 7 horas às 12h30. Trabalha a partir das duas da tarde. Segue de bicicleta todos os dias de sua casa, até um varejão na Av. Major Nicácio.
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