Neste ano a natureza está calibrada pois praticamente não houve seca. Choveu até nos meses sem a letra R, no nome. Os antigos diziam que dificilmente chove de maio a agosto. A estiagem encerrava-se somente na Primavera, a partir do terceiro dia, do terceiro terço, do primeiro mês com R: setembro. É a magia do dia 23, porque dá início à estação mais reprodutiva do anos.
Setembro sempre foi época de acasalamento e de se preparar a terra para o plantio anual. Isso quase não vinha acontecendo, ultimamente. A inconstância das chuvas desanimou o agricultor. Agora, como tem chovido razoavelmente, a prática de se arar a terra antes da Primavera, voltou. Desde o começo deste mês o homem do campo está a postos com seu arado.
Aqui por perto vê-se somente a praga do cultivo da cana-de-açúcar. Ou agora seria de álcool? Aliás, o Estado inteiro padece dessa monocultura. O relevo mais plano favoreceu a proliferação dessa vegetação primária destinada à produção de energia carburante. Assim, as terras estão arrendadas para usinas, que não têm época para arar. Muito menos horário.
Quem adentrar Minas Gerais vai notar muito solo arado à espera de sementes, principalmente nas encostas dos morros. Os mineiros tiveram sorte. Área montanhosa não serve para cana. Ter uma terra boa para criar burro virou trunfo. Diz o pessoal entendido que serra deixa o animal mais forte e melhor preparado para longas viagens, pois não tropeça em pedras.
Cultivo de cana e expansão urbana sem planejamento estão danificando o solo paulista. Vide as recentes enchentes por toda parte do Estado. O fenômeno só ocorre pela falta de árvores e vegetação rasteira diversificada. Ontem mesmo, para comemorar o Dia da Árvore, foram plantadas 53 mudas de pau-brasil no futuro Parque Ecológico do Jardim Dermínio. Haverá mais. A Secretaria de Obras e Meio Ambiente coordena o trabalho no local.
Muito bom que se plante árvores mas, melhor ainda seria preservá-las. Antes do loteamento, não havia voçoroca no Jardim Dermínio. O local era totalmente arborizado. Existia também uma várzea na beira do córrego. A chegada da urbanização sem planejamento provocou o caos ecológico, principalmente nos fundos do loteamento. O mesmo ainda vai ocorrer no Residencial Palermo, caso a Prefeitura não fiscalize as obras de asfaltamento.
Fiscalizar sai bem mais em conta aos cofres públicos! Problemas ambientais podem ser evitados. O meio ambiente (meio, nesse caso, significa o todo e não existe a palavra meio-ambiente, que seria a metade do ambiente, como anda apregoando panfleto sobre o Dia ou a Semana da Árvore) por si só não se deteriora. Pelo contrário, a intervenção humana é que sempre se mostrou desastrosa para com todo o ambiente. Ou seja, para com o meio ambiente.
<b>Antônio Araújo</b>
<i>Professor de redação</i>
tonin.palavras@uol.com.br
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