“As pessoas que estão no poder desviam-se de seus caminhos para ter certo que todos estejam perpetuamente desorientados e manipulados”. Muitas vezes a percepção das pessoas acerca dos acontecimentos na área da política, já não é delas próprias. São impostas com tamanha inteligência e ardil que sequer são percebidas.
O sistema educacional estupidifica a camada jovem ao invés de formar e encaminhar. Não querem as crianças educadas. Não pretendem que a população pense muito. Isso explica o motivo de o mundo ter se transformado num gigante parque de diversão, onde se capturam as mentes humanas seja pelas antenas de televisão, seja por cabos, satélites etc.
A televisão é um poderoso elemento de entretenimento de massa que manipula, controla e desinforma. Drogas, álcool, parques temáticos e outros servem para garantir o entretenimento e a alienação das pessoas acerca do que de fato é a realidade. Entreter para que ninguém se meta no caminho dos donos do poder é a estratégia bem sucedida encontrada para a domesticação do cidadão.
A população no grau de desinformação em que se encontra tem por real o que é fantasiado pela televisão e por ilusão as suas próprias vidas. Uma parcela ínfima da sociedade lê livros, jornais. As verdades que conduzem suas vidas são as provenientes da `caixa`. Há toda uma geração que nunca saiu da `caixa`. Toda a vida se reduz a um encarceramento delineado e deliberado para aprisionar qualquer sentimento de dúvida ou mesmo questionamentos.
Há quem diga que a televisão é a portadora da verdade absoluta, a última revelação. Isso é correto, uma vez que tem poder para fabricar ídolos, eleger ou destruir presidentes, ministros, brincar com a boa-fé pública e o que bem entender.
Questiona-se ainda sobre um dado realmente preocupante, qual seja, `se um dia esse poder cair em mãos erradas e a maior empresa do mundo controlar a melhor e mais perfeita máquina de propaganda jamais criada, sabe-se lá o que será tomado como verdade"?
Importante não esquecer que a televisão não é a verdade. Ela se presta a clamar pelas almas desavisadas e apanhá-las de surpresa quando menos esperam. Ela abre veredas e corrompe os sentidos a ponto de adentrar as residências e se impor sem nenhuma possibilidade de resistência.
Às pessoas não é mais oferecido o direito de escolher entre esse ou aquele produto. Tudo é veiculado de forma a criar necessidades sem se questionar a relevância e a importância daquele produto. E isso acontece da propaganda de xampus às novelas. A alienação em massa é tão lancinante e degradante que as pessoas pensam, falam e agem como os `seres imaginários` da televisão. Seria o caso de se perguntar: o que é real? É a acrobacia atentatória à inteligência dos espíritos desavisados ou é a vida difícil e periclitante que o cotidiano testemunha?
O cientista geógrafo-humanista Milton Santos pontua: `Em lugar do `cidadão` formou-se um `consumidor`, que aceita ser chamado de `usuário``. Ora, pior que ser chamado de `usuário` é ser tido como otário inocente e distraído a servir de massa de manobra a poderes escusos e desconhecidos. Enquanto todos assistem avidamente às suas novelas e programas eleitos, canetas deslizam e selam os destinos de milhões, senão bilhões de seres sem face e sem vontade próprias. Compensa insistir na questão: o que é real para você?
Nadir Ap. Cabral Bernardino
Advogada formada pela FDF, pós-graduada em Política e Estratégia e Direito Ambiental
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