A pespontadeira JMB, 31, moradora no Jardim Aeroporto, luta há sete anos para se livrar das drogas. Viciada em crack, a mulher já perdeu a guarda de três filhos. Desesperada e grávida de quatro meses, ela quer ser internada numa clínica para dependentes químicos e se livrar do vício, mas não consegue vaga nem tem dinheiro para pagar um tratamento particular.
A história de JMB é parecida com a de muitos outros viciados. Antes de se envolver com entorpecentes, ela levava uma vida normal e trabalhava numa fábrica de calçados como pespontadeira. Aos 15 anos, conheceu seu primeiro marido com quem teve dois filhos. A separação aconteceu nove anos depois. A tristeza provocada pelo rompimento a teria levado a procurar as drogas. “Eu conheci as drogas há sete anos. Comecei a vender entorpecente, usei maconha, cocaína e depois tive a triste oportunidade de usar crack. Não consegui mais sair desta vida”, disse a pespontadeira.
Por causa do vício, JMB perdeu a guarda dos dois filhos, que hoje vive com seu ex-marido. Também foi presa acusada de ter participado de um assalto. Cumpriu dois anos de prisão e depois que saiu da cadeia casou-se novamente. Com segundo marido, teve um filho, hoje com dois anos. Ainda envolvida com entorpecentes, perdeu a guarda da criança, que vive com uma de suas irmãs.
JMB disse que chegou a ficar durante três meses sem usar drogas, mas depois que separou do segundo marido voltou a se drogar. “Tive uma recaída e voltei a fumar crack”.
A pespontadeira diz que está no “fundo do poço”. Vive dormindo em construções e sempre se drogando. Abandonou de vez a família. “Nestes últimos dias, cheguei a fumar umas 30 ‘pedras’. Não me prostitui, não roubei, o dinheiro que consegui foi pedindo para as pessoas na rua. Eu tenho filhos, profissão e não aguento mais viver assim”,disse chorando.
Desesperada, ontem ela decidiu buscar ajuda. Primeiro procurou sua família que sem encontrar vaga para interná-la numa instituição, resolveu pedir ajuda pelo rádio, no Programa Hora da Verdade, na Rádio Difusora AM. No ar, ao lado do pai, ela contou sua história. O secretário de Ação Social, Roberto Nunes Rocha, ouviu o relato da pespontadeira e prometeu ajudá-la. “Nós vamos encaminhar o oficio de internação para tratamento para uma das entidades que recebem subvenção pública, no caso, a Amafem. Com certeza, vamos conseguir a vaga”, disse o secretário.
Até o final da noite de ontem, ela não havia sido internada. A promessa é de que isso ocorra até sexta-feira.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.