<b>Comércio da Franca</b> - O Estado consegue descentralizar as políticas públicas para os jovens?
<b>Mariana Montoro</b> - Estamos trabalhando nisso. No ano passado, fizemos o primeiro ciclo de encontros, que foi voltado aos gestores municipais. Que são pessoas que trabalham nas prefeituras com projetos voltados aos jovens. Tinha um caráter de apresentação.
<b>Comércio</b> - Há uma dissonância no diálogo do poder público com o jovem?
<b>Mariana</b> - Acho, acho que é um desafio. O desafio de comunicação é grande entre o poder público e a sociedade, em geral. Quando se fala no jovem, isso se acentua. Por isso, a primeira coisa que eu fiz foi um site que eu achasse que tinha uma linguagem para jovem. Nosso portal é dividido em cinco grandes áreas: estude, trabalhe, divirta-se, viva com saúde e faça política.
<b>Comércio</b> - Esta ‘ponte’ foi estabelecida pela internet?
Mariana - Logo que o site ficou pronto, tomei uma bronca. Diziam assim: ‘Mariana, não está parecendo site do governo!’. Mas essa era a ideia. O portal, na verdade, existe para mostrar os serviços que o Estado oferece para os jovens.
<b>Comércio</b> - Quais os programas que têm mais demanda para os jovens hoje no Estado?
<b>Mariana</b> - Primeiro, o Acessa SP. Existe uma super demanda por internet de qualidade, de graça. É um programa que cresce a cada dia. A meta é estar nos 645 municípios. Também tem a questão do ensino técnico, que está sendo muito ampliado com as Fatecs e Etecs. E a Cultura, que é uma secretaria que tem um carinho especial. A Virada Cultural, etc.
<b>Comércio</b> - E o esporte?
<b>Mariana</b> - O esporte também. Tem as olimpíadas colegiais, os Jogos Abertos que, de fato, conseguem ter esta capilaridade enorme em todo o Estado.
<b>Comércio</b> - Qual o nó que trava hoje uma interação maior do jovem com o poder público?
<b>Mariana</b> - Nó é o vício de ambos. O jovem que não procura a informação, que não tem a paciência de ir atrás. E o governo, do outro lado, não tem um esforço para disponibilizar de uma maneira mais atrativa.
<b>Comércio</b> - Como desatá-lo?
<b>Mariana</b> - É o que a gente tem investido. Sem dúvida, a Internet é um espaço. Eu até acho que agora tem ocorrido o esforço, o governador está no Twitter, o secretário tem seu blog.
<b>Comércio</b> - A internet quebra esta barreira, de certa forma.
<b>Mariana</b> - Sem dúvida. Foi um marco para o governo. Agora, o próprio portal está em um segundo momento que entra no segundo ciclo de encontros pelo interior. A princípio, a gente fazia o conteúdo e disponibilizava para que o jovem lesse. Agora, queremos que o portal seja feito pelos próprios jovens. Que eles façam matéria, notícia e ajudem a produzir este conteúdo. Os encontros regionais, que serão 15, se transformam em uma oficina de comunicação para grupos de jovens. Como você começa a olhar a para sua cidade e começa a perceber o que acontece. Para comunicar que vai ter um show tal dia ou se a pista de skate tem problema e a prefeitura não conserta etc. Tudo isso pode virar notícia no portal da Juventude. Os jovens vão ter este espaço como referência e vão consultar lá. E aí você tem um lugar com informação muito viva e descentralizada. Inclusive para o interior.
<b>Comércio</b> - O que você acredita que pode estimular o interesse e a participação do jovem na política, diante desta enorme crise de credibilidade dos poderes constituídos?
<b>Mariana</b> - O jovem vai estar estimulado quando ele ajudar a construir determinada coisa. Como se tivéssemos aquelas audiências públicas. Se o seu projeto é para a juventude, faça um bate-papo, apresente ao jovem, ouça o que ele tem a dizer.
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