A palavra aí acima foi colocada em frase pronunciada por meu bisneto Caio, atento, brincando em montagem de pequenas peças de um quebra cabeça. Palavra correta em frase adequada a nos levar a uma reflexão: foi bom o avanço do entendimento da infância? De onde ele vem? Da ausência dos pais ou da frequência permanente diante da TV? Bem, o caso, mais sério do que possa parecer suscita discussão entre educadores, dirigentes das áreas de educação, agentes políticos e responsáveis pela grade horária de programas de televisão.
De minha parte, aproveito o óbvio para focar outras obviedades. Este jornal, corajosamente vem cumprindo seu dever de informar certos comportamentos locais ou não, advindo de tal pratica benefícios para a sociedade. Um desses, desmascarava desejo da Câmara Municipal em contratar mais uma trupe de apaniguados para função de assessores – coçadores do que, de quem, não sei – de coisa nenhuma. Quem pagaria? Óbvio: o dinheiro que o povo recolhe para saúde e educação. O grito da população foi sentido na seção "Carta do Leitor" deste jornal abortando a indecente proposta.
Como toda novela exige outros capítulos, um luminar de nossa Câmara aproveitou o óbvio: fez uma proposta demagógica para lapidar sua imagem. Entrou na mídia e faturou o bom holofote com a certeza de que o assunto se apagaria como lamparina em noite de ventania. Sequer cuidou de maquiar sua cria diante de seus pares e melhorar a tapeação dos incautos eleitores. Foi silencioso e sem defesa – entre vereadores – o enterro do projeto de zerar os salários de vereadores.
Seguidor que sempre fui do político mineiro Olavo Drummond, Ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), não posso calar. Tendo passado por importantes cargos na República sem jamais vacilar na repulsa aos chamados subsídios na vereança, sempre defendeu reexame do processo adequando-o por densidade populacional, prestação integral de serviço. Para outros casos, só admitia e reconhecia o serviço voluntário.
Dentro de tais princípios filosóficos, pessoalmente, consolido minha opinião contra o acúmulo de salários, muitas vezes partindo os dois de organismos públicos. Contem-se funcionários da administração direta, autárquica e fundação, funcionários de seus quadros, empossados vereadores estão recebendo duplo salário graças à muleta prevista na constituição federal – Art. 38, inciso terceiro da CF. Acrescente-se que gozam direito de afastamento para campanha política durante três meses sem prejuízo de vencimentos. Acreditar que não há choque horário entre as duas funções é inocente é risível.
Óbvio me sentir feliz ao saber pelo Comercio, em 1º de setembro, de reunião convocada pelo deputado Ubiali para discutir a jornada reduzida, em tramitação no congresso (PEC 231/1995). Desejo aplaudir com grande vigor e alegria, palavras do deputado: "Temos que fazer com que as pessoas tenham conhecimento do que acontece em Brasília. Quais são as discussões que lá ocorrem e quanto afetam suas vidas". (...) Repita sempre isto, deputado.
A Câmara Federal onde ele nos representa acaba de aprovar aumento de 8 mil cargos de vereadores e se prepara para a necessária segunda votação, preconizada por parlamentares em favor de seus cabos eleitorais, especialmente os não eleitos, que suplentes, pretendem a posse. Um novo imposto do cheque está em discussão. O óbvio dos mandantes não é o mesmo do povo desta terra de samba e pandeiro.
Garcia Netto
Jornalista
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